A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 23/10/2019

Em meados do século XVIII, a Revolução Industrial emergiu, fato que mudou os paradigmas de estruturação social, sobretudo, por acentuar o êxodo rural e fazer com que aglomerados humanos se formassem próximos às fábricas, o que dificultou a mobilidade. De forma similar, hodiernamente, a falta de planejamento urbano somada às tendências capitalistas de incentivo à compra de automóveis, faz com que o panorama brasileiro instaure-se em impasses de mobilidade urbana que necessitam ser devidamente mitigados.

É importante salientar, antes de tudo, que o histórico planejamento locomotivo do país influencia, ainda hoje, no processo de mobilidade. Durante o governo de Juscelino Kubitschek, o presidente consolidou a interligação do território nacional através de inúmeras rodovias, sem priorizar os demais modais de transporte. Dessa forma, a dependência de modelos rodoviários provoca o acúmulo de ônibus, motocicletas e automóveis particulares nas ruas, fato que interfere o tempo gasto no trânsito, inclusive, nos deslocamentos pendulares de indivíduos que moram em bairros periféricos, constatando-se a necessidade de reestruturação.

Outrossim, a globalização e a alienação capitalista contribuem para o desequilíbrio automotivo nos centros urbanos. Grandes marcas, tais como Toyota e Chevrolet, procuram lançar, anualmente, novos modelos de seus carros, que rapidamente entram no mercado para competirem pela escolha do consumidor. Segundo Adoro e Horkheimer, estudiosos da escola de Frankfurt, a mídia, em parceria com os padrões de consumo vigentes, induz as pessoas a se alienarem e adquirirem novos produtos, inclusive automóveis, o que realça ainda mais a concentração de carros, mesmo que ônibus coletivos consigam locomover mais pessoas e ocupar um espaço menor, o que ressalta a falta de infraestrutura urbana.

Com base nessa perspectiva, medidas são necessárias para mitigar o impasse, por meio de uma ação conjunta, na qual o Poder Legislativo, através de uma emenda na Lei das Diretrizes Orçamentárias, direcione mais investimentos em infraestrutura, com a construção de ruas multimodais, calçadas para ciclistas e pedestres, semáforos e implementação de mais ônibus coletivos, a fim de melhorar a locomoção. Concomitantemente, a Mídia, através de programas como Fantástico, deve incentivar a população a reduzir a compra de carros particulares, de modo a se utilizar com mais frequência os transportes coletivos, com o intuito de melhorar a fluidez no trânsito e permitir uma mobilidade urbana mais dinâmica.