A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 22/10/2019

As Revoluções Industriais foram um marco importante na história da humanidade, pois revolucionaram a maneira de produzir e, além disso, promoveram diversas melhorias nos meios de comunicação e de transporte de pessoas e mercadorias, o que contribuiu para a formação das malhas de transporte mundialmente, incluindo o Brasil. No entanto, o brasileiro atualmente convive com uma crescente crise na mobilidade urbana, o que prejudica o direito de ir e vir do cidadão, seja pela histórica preferência do governo brasileiro em investir no modal rodoviário ao invés do ferroviário ou pela péssima qualidade dos transportes públicos no Brasil.

Em primeiro plano, o modal ferroviário apresenta-se como a melhor opção de transporte para os países com grande extensão territorial e grandes populações. Isso ocorre pois a construção e manutenção deste modal é mais barata se comparada a outros e, além disso, os trens destacam-se como transporte de massa, sendo capazes transportar uma grande quantidade de pessoas e também de mercadorias. Contudo, o governo de Juscelino Kubitschek, por exemplo, destacou-se pela grande aproximação aos Estados Unidos que, por sua vez, tinham o interesse em instalar em território brasileiro suas indústrias automobilísticas. Dessa forma, houve o sucateamento do transporte ferroviário e a realização de pesados investimentos na construção de rodovias, com o objetivo de atender a demanda estadunidense. Desse modo, hoje há uma superlotação de automóveis nas estradas brasileiras, o que contribuiu para a instalação de uma crise na mobilidade urbana no país.

Além disso, o Brasil conta com um precário sistema de transporte público. Isso acontece pois boa parte do dinheiro do governo a ser investido no transporte coletivo é desviado pelos políticos. Em vista disso, a corrupção presente no brasil contribui para a péssima qualidade do transporte público nacional. Desse modo, a população opta pela aquisição de carros, o que favorece a superlotação das estradas brasileiras.

Infere-se, portanto, que decisões históricas do governo nacional e a corrupção presente no Estado favoreceram a instalação de uma crise na mobilidade urbana. Urge, portanto, ao governo brasileiro, entidade responsável pelo bem estar da população, investir no transporte multimodal, a partir da manutenção dos outros modais como o ferroviário e o hidroviário, com o objetivo de dinamizar o sistema de transporte urbano e diminuir a quantidade de automóveis nas ruas. Ademais, é imperativo que o próprio governo permita diferentes empresas atuando na área dos transportes urbanos, a partir do incentivo à livre concorrência, com a finalidade de que essas empresas entreguem à população um transporte de qualidade nas cidades. Assim, é possível amenizar a crise na mobilidade urbana nacional.