A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 23/10/2019

Na série “The Blacklist”, em um dos seus episódios, retrata um ataque químico no metrô. Esse local foi escolhido por seu fluxo grande de pessoas e passar por todos os pontos da cidade. Fora da ficção, tais características do transporte são reais. Devido a isso, a sociedade contemporânea demonstra que a mobilidade urbana brasileira precisa de reflexão, uma vez que os meios de locomoção, como automóveis,  corroboram para o aumento do aquecimento global e sua persistência é consequência do poder da indústria automobilística.

Em primeiro lugar, cabe salientar que o aumento da frota de carros particulares agrava, ainda mais, o aumento da temperatura no mundo. Isso porque, libera gases do efeito estufa (GEE), ou seja, compostos que ao entrar em contato com a camada de ozônio a tornam mais frágil, permitindo a entrada dos raios ultravioletas do sol. De acordo com pesquisas do Instituto de Energia e Meio Ambiente, os carros são responsáveis por 72,6% do aumento da temperatura no Brasil, mostrando, assim, que os automóveis são extremamente nocivos à natureza.

Não obstante, o impasse está longe de ser resolvido. No início da interligação o Brasil, durante o governo Juscelino Kubitschek, foi escolhido o modelo rodoviário ao invés do modelo ferroviário, que segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística seria mais barato e recomendado pelas características continentais do Estado brasileiro. Nesse sentido, com a aprovação no Senado em novembro de 2018 do incentivo as empresas automobilísticas observa-se que a sua influência de alastra até os dias atuais. Diante disso, os carros ficarão cada vez mais barato e por conseguinte a procura será maior, elevando o número de veículos na rua prolongando cada vez mais engarrafamentos que já são intensos nas grandes cidades, a exemplo São Paulo e Recife. No entanto, o sistema de transporte público é precário, pois as frotas de ônibus estão cada vez menores, as linhas metroviárias não existem em todas as cidades e quando existe não chega em todos os pontos da cidade.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para resolver o quadro atual. Para que a mobilidade urbana torne-se mais fluida, urge que os Ministérios de Infraestrutura e Transporte construam linhas de metrô em todas as cidades promovendo a interligação com as regiões metropolitanas por meio de um plano plurianual. Esse projeto deverá ter metas a serem batidas todos os anos. Somado a isso, o aumento dos impostos em cima dos automóveis particulares e o barateamento das passagem de ônibus para incentivar a população ao uso dos meios públicos. Somente assim, longos engarrafamentos deixarão de existir e os a emissão de GEE será mitigada.