A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 22/10/2019

Desde o século XVIII, com a corrente filosófica do Iluminismo, entende-se que o ser humano está em condições de tornar esse mundo um lugar melhor. Entretanto, quando se observa a crescente crise na mobilidade urbana no Brasil, verifica-se que essa ideia iluminista é constatada na teoria e não desejavelmente na prática. Nesse sentido, a insuficiência constitucional e social corroboram esse impasse, e a problemática segue inerentemente ligada à realidade do país.

Mormente, é cabível salientar o descaso da sociedade brasileira com a crise na mobilidade urbana. Nesse âmbito, José Saramago em sua obra ‘‘Ensaio sobre a cegueira’’, caracteriza a despreocupação da população frente aos problemas sociais. Destarte, de maneira análoga, as pessoas estão fechando os olhos para as causas e consequências das tribulações que afetam a mobilidade urbana. Isso é intensificado, principalmente, devido à carência de políticas públicas que destravem o enorme fluxo de veículos que transitam diariamente nas metrópoles, amplificando as discussões no trânsito, a ausência de estrutura apropriada nas rodovias e o aumento dos acidentes.

Paralelo a isso, a incúria social vinculada ao déficit em investimentos relacionados ao transporte fomenta a perpetuação do impasse. Nesse viés, o transporte público ainda não é totalmente eficaz, por não contarem com o papel estrutural e acessível para todos. Ademais, os indivíduos têm a sensação de segurança e conforto ao se deslocarem por meio de seus veículos. Essa conjuntura contraria o filósofo Aristóteles -assegurador do estabelecimento de relações interpessoais a partir da vida em sociedade- visto que, o contato social torna-se menor devido a política de veículos para uma pessoa.

Em síntese, medidas devem ser efetivadas a fim de atenuar os impactos causados pela crise na mobilidade urbana. Desse modo, conforme Kant, o princípio da ética é agir de forma que essa ação seja uma prática universal. Logo, as Escolas de ensino fundamental e médio em parceria com a mídia local, deverão promover palestras e campanhas que discutam as principais causas da crise na mobilidade urbana, com o intuito de promover a conscientização das pessoas. Além disso, o Estado deverá investir em transportes públicos como metrôs, trens, ônibus seguros e acessíveis à toda população e na estrutura de rodovias e ciclovias, com o objetivo de amenizar as crises na mobilidade urbana brasileira e os danos ao meio ambiente. Dessa maneira, o Brasil poderá garantir a filosofia iluminista e a síntese Kanteana será consolidada.