A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 21/10/2019
Na Biologia, quando ocorre um bloqueio em uma veia as hemácias são impedidas de circular, de maneira a causar prejuízo àquele ser que possui um complexo sistema. De maneira análoga, na sociedade contemporânea em que as hemácias são os carros e as veias são as vias, um congestionamento também traz transtornos à mobilidade urbana, de modo a causar danos à população. No Brasil, infelizmente, tal realidade se faz presente diariamente nos grandes centros urbanos. Diante disso, é necessário refletir em medidas que solucionem a problemática.
Convém ressaltar, a princípio, que a mobilidade urbana faz parte dos direitos estabelecidos no artigo 6º da Constituição Federal de 1988 e está intimamente ligada com o planejamento urbanístico que o Estado delineia para suas cidades. No Brasil contemporâneo, por conta da industrialização e políticas desenvolvimentistas, houve um rápido e desordenado crescimento. No entanto, a falta de iniciativas públicas demonstra que as vias de circulação não acompanharam esse desenvolvimento, além disso não recebem manutenções suficientes. Essa conjuntura, é incoerente com a existência de um Estado Democrático de Direito e reflete o descaso do Governo em garantir os compromissos firmados em 1988.
Ademais, é importante citar que a cultura de culto ao carro é intrínseca da sociedade brasileira. Esse cenário, está de acordo com o conceito desenvolvido por Adorno e Hockheimer, o qual diz que a Indústria Cultural traduz o desejo de consumo em uma pseudo-felicidade. Tal fato é muito prejudicial, pois a mídia denunciada pelos filósofos persuade o indivíduo à compra e promove o automóvel a objeto de consumo e prestígio. A consequência dessa quantidade exacerbada de veículos obriga a população a conviver com um dos maiores desafios do meio urbano: um trânsito inflado, caótico e ineficiente. Diante dos fatos supracitados, é necessário que as prefeituras e secretarias municipais de desenvolvimento e mobilidade urbana, apurem e invistam nas necessidades específicas de seus municípios, como ciclovias, transportes alternativos e coletivos. Essa iniciativa deve ser feita por intermédio de parceiras com empresas privadas, de modo que a prefeitura ofereça incentivos fiscais em troca de cuidados e manutenção das vias, a fim de não onerar as contas públicas e garantir segurança para a população. Assim, com a efetividade dessas medidas, as cidades tal qual um sistema complexo, vivo e interligado funcionará em harmonia e trará desenvolvimento e crescimento para o país.