A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 22/10/2019
Os problemas de mobilidade urbana são inerentes à própria existência das grandes cidades. Exemplo disso é que, no final do século XIX, parlamentares de Nova York (NY) já debatiam formas de evitar o colapso do sistema de transportes local, tendo em vista o excesso de charretes de tração animal que trafegavam nas ruas, deixando-as cobertas de excrementos. Atualmente, o sistema de metrô de NY está entre os melhores do mundo. No Brasil, por sua vez, é indubitável que a urbanização tardia e acelerada, ocorrida a partir dos anos 1970, foi responsável pela grave e crescente crise de mobilidade urbana no país. Nesse contexto, convém analisar as principais causas e consequências da ineficiência do sistema de transportes urbano e propor soluções para esse problema social brasileiro.
Em primeiro plano, cabe ressaltar que o crescimento das cidades brasileiras não foi acompanhado de planejamento para facilitar a locomoção dos habitantes. Prova disso é a escassez de trens ou metrôs - que poderiam transportar muitas pessoas, rapidamente, por longas distâncias - em centros urbanos como Florianópolis e Belo Horizonte ou nas áreas periféricas do Rio de Janeiro, por exemplo. Ademais, é notória a exclusão a que são submetidos moradores de periferias metropolitanas, os quais precisam enfrentar longos trajetos entre seus lares e seu trabalho, trafegando, para isso, em ônibus ou lotações, os quais disputam espaços nas ruas com pedestres e ciclistas e com a gigantesca frota de carros e motos, que já ultrapassa os 65 milhões de veículos no Brasil, conforme dados do IBGE.
Como consequências desse cenário, chegou-se a uma situação de crise da mobilidade urbana que segue se agravando no Brasil, com reflexos maléficos sobre a qualidade de vida da população. Isso porque, trabalhadores de grandes cidades podem perder mais de 4 horas por dia no trânsito, conforme aponta estudo do departamento de engenharia da Universidade de São Paulo. Essa, situação, além de diminuir o tempo de convívio familiar, causa estresse, problemas de coluna, sedentarismo e dificuldade para realizar práticas esportivas e atividades de lazer, como mostra estudo da Organização Mundial da Saúde, sobre obesidade nos centros urbanos.
Portanto, para barrar o crescimento da crise e evitar o colapso da mobilidade urbana no Brasil, urge que o Ministério dos Transportes una esforços com as Prefeituras das grandes cidades para projetarem e realizarem obras de infraestrutura capazes de integrar opções de meios de transporte, priorizando, nessas obras, os trens, mtrôs, corredores de ônibus e ciclovias, afim de que essas formas mais eficientes e ágeis de locomoção sejam mais utilizadas pela população. Como efeito, os brasileiros das grandes cidades poderão locomover-se em menos tempo, melhorando sua qualidade de vida. Assim, não será necessário viajar até Nova York para usufruir da vida na metrópole.