A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 21/10/2019
Em 1956, com o plano de governo de Juscelino Kubischek (JK), foi implementada a política de desenvolvimento rodoviário nacional. Assim, apesar de passados mais de 50 anos, o transporte via rodovias permanece como predominante, o que gera problemáticas no deslocamento urbano. Dessa forma, convém ressaltar as origens dessa crise, seja por negligência governamental, seja por individualismo social.
Em primeiro lugar, vale destacar a pesquisa do portal de notícias G1, a qual aponta que, em média, os trabalhadores perdem um terço do dia dentro de transporte coletivo. Esse quadro, decorre da inoperância das gestões públicas, as quais não provêm uma locomoção rápida e de qualidade, uma vez que ônibus e metrôs lotados e de más condições são parte do cotidiano dos cidadãos. Dessa maneira, além de desestimular o uso desses meios, gera impactos como, por exemplo, estresse, ansiedade, cansaço e atrasos.
Ademais, nota-se também, o individualismo como elemento fundamental no aumento do caos na mobilidade urbana. Já que, sob o viés do filósofo Richard Sennet, existe a criação de uma sociedade de consumo, a qual incentiva a diminuição dos valores coletivos e os indivíduos só obtêm destaque se possuem objetos que os diferenciam, ao exemplo dos automóveis. Dessa forma, esse ideário reflete o aumento exponencial do número de carros, ocasionando no congestionamento do trânsito nas cidades e, por consequência, poluições sonora e atmosférica.
Portanto, com vistas na solução da caoticidade do deslocamento pelo país, é imprescidível que o Estado aliado com prefeituras, por meio de repasses de verbas federais, invistam na ampliação de redes de ônibus e transportes alternativos - ciclovias, monotrilho, aeromóvel, que se integrem, e poderão ser utilizados com praticidade através do bilhete único. Adicionalmente, para que atraia os utilizadores de veículos particulares, as redes midiáticas devem promover propagandas de incentivo e, logo, poderemos superar os impasses da mobilidade advinda desde o período JK.