A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 21/10/2019

Em diversos filmes de ficção científica, como “Blade Runner”, carros voadores estão presentes como alternativa para a imobilidade de rodovias terrestres. Infelizmente, ideias como essa refletem o cenário do mundo real, onde crescentes crises na mobilidade urbana confrontam o cotidiano dos cidadãos – perceptível, principalmente, na maior parte das metrópoles brasileiras. Por isso, deve-se investigar as causas, consequências e potencial solução do problema.

A princípio, cabe ressaltar os fatores que possibilitaram o aumento da imobilidade urbana. Segundo Theodor Adorno, a massificação das ideias pré-fabricadas pela mídia conduz o comportamento do consumidor e dita o que deve-se comprar, isto é, caso este tenha precário julgamento crítico e, intrinsecamente, duvidosa capacidade de fazer escolhas – assim, se essa tal “cultura de massa” alega que “bons cidadãos” são aqueles detentores de um carro, nada resta a fazer senão comprá-lo. Sob essa perspectiva, o consumismo é determinante para o aumento de automóveis particulares nas ruas; entretanto, a falta de segurança e infraestrutura dos transportes públicos brasileiros também são fortes motivadores dessa constante.

Além disso, é importante destacar as sequelas desse fenômeno. Com maior número de veículos circulantes nas rodovias, há, consequentemente, maior trânsito e tempo de deslocamento; “são fatores como esses que aumentam o estresse e desencadeiam distúrbios emocionais, os quais prejudicam estilo de vida e contribuem para o envelhecimento precoce”, segundo bióloga vencedora do Prêmio Nobel Elizabeth Blackburn. Ademais, essa crescente aquisição de carros particulares leva a uma maior emissão de gases poluentes, o que causa danos ao meio ambiente – aumenta índices de chuva ácida, efeito estufa, aquecimento global, entre outros – e ao organismo biológico – maiores taxas de doenças respiratórias, crises de rinite e sinusite alérgica, danos oculares, entre outros.

Portanto, é dever do Estado promover a segurança dos transportes públicos, por meio de investimentos em tecnologias para melhor uso desses veículos – como aplicativos que exponham em tempo real a localização do ônibus, para diminuir o tempo de espera no ponto, ou que facilitem o acionamento da Polícia Militar, prevenindo assédio sexual, assalto e violência –, a fim de melhorar a qualidade de vida dos cidadãos. Ademais, o Estado também investir em meios para diminuir a circulação de automóveis particulares, por meio da implantação de mais ciclovias, de propagandas promotoras do maior uso de transportes compartilhados e de competições para atrair ideias criativas que reduzam o problema. Com isso, será possível melhorar a atual condição da mobilidade urbana e, possivelmente, não será preciso recorrer a carros voadores como alternativa para a crise.