A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 21/10/2019

Segundo Hernandes, especialista em transporte público e mobilidade urbana, “a mobilidade urbana é um sistema que existe para satisfazer as necessidades das pessoas nos deslocamentos”. É evidente que essa satisfação encontra-se comprometida, em virtude das dificuldades encontradas na realização de atividades do cotidiano, como o deslocamento para ir ao trabalho, ao mercado ou um simples passeio pela cidade, demonstrando dessa forma, à fragilidade das políticas públicas de infraestrutura, que vão desde, à falta de planejamento urbano e a falta de manutenção nas estruturas existentes.

Em primeiro lugar, é fundamental analisar os fatores que tornaram essa problemática uma realidade tão crescente. De início, a intensificação do sistema rodoviario  no século XIX, pelo governo de Juscelino Kubitschek impulsionado pela indústria automobilística, que associado à revolução industrial e ao êxodo rural, ocasionou o inchaço das grandes cidades, que não se encontravam preparadas para atender a repentina demanda.

Em segundo lugar, é cabível enfatizar as principais consequências geradas pela crise e vivenciadas pela sociedade, dentre elas; trânsito caótico com engarrafamentos quilométricos, devido ao grande número de veículos particulares, sendo esse o principal meio de transporte utilizado atualmente. Assim comprovados pelos dados do Observatório das metrópoles, “a população brasileira aumentou em 12%, enquanto o número de veículos registrou um crescimento de 138,6%, entre os anos de 2002 a 2012”.

Além disso, é importante ressaltar a precariedade ou até mesmo a falta de pavimentação de vias e estradas, a ausência de uniformidade do espaço urbano, que desfavorecem a fluidez, como também dificultam o deslocamento e acessibilidade de pessoas com deficiência e à superlotação e má qualidade dos transportes coletivos, fatores esses determinantes para o agravamento da crise.

Diante desse cenário, é premente o envolvimento do poder público e de toda à sociedade, na adoção de medidas para efetivação do deslocamento com o mínimo de tempo e transtornos possíveis. A priori, à execução pelo poder público, de melhorias de infraestruturas das cidades e estradas, ampliação dos corredores de ônibus e ciclovias, aumento na frota de ônibus e na elaboração de uma lei específica que determine parâmetros de uniformização de ruas e calçadas, punindo com multa quem desrespeitar. Ademais, campanhas de incentivo ao uso de transportes alternativos, como o transporte coletivo e bicicletas. Sendo possível, através de um trabalho de planejamento e de conscientização amenizar e evitar que a crise persista.