A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 20/10/2019
0 Estado surge a partir da necessidade de assegurar e garantir os direitos naturais, como a liberdade e a igualdade, em seu modelo de gênese. Por conseguinte, fundamentando-se na filosofia lockeana e ao analisar os problemas em relação a mobilidade urbana que vêm se intensificando conforme os anos, é fato que a negligência governamental em função da busca de alternativas para garantir e facilitar a livre circulação das pessoas no ambiente urbano acarreta nos problemas locomotivos da contemporaneidade.
Em primeiro plano, é válido ressaltar que o processo de urbanização, iniciado no início do século XX, surgiu a partir da industrialização brasileira e teve como resultado o rápido crescimento das cidades, intensificando o processo de favelização no contexto urbano. Não obstante, com o processo de gentrificação, a especulação imobiliária elevou os preços da moradia, que foi seguida pela substituição da população residente, promovendo uma “descentralização”. Com isso, as zonas periféricas se distanciam dos centros urbanos e dos transportes públicos.
Paralelamente, com tal segregação socioespacial, acompanhada pela falta de um planejamento urbano, os meios de transportes públicos tornam-se escassos ou muitas vezes insuficientes, o que corrobora na busca pelo transporte individual. Todavia, com o aumento do número de automóveis particulares, há um elevação drástica do congestionamento das cidades, que poderia ser solucionado pela mudança dos transportes para o deslocamento das pessoas, facilitando a mobilidade urbana e amenizando os impactos ambientais.
Infere-se, portanto, que medidas sejam tomadas a fim de solucionar os problemas em função da mobilidade urbana contemporânea. Desse modo, cabe que o Ministério da Infraestrutura atue juntamente com arquitetos e urbanistas na realização de projetos que visem um planejamento urbano eficaz, com enfoque na maior fluidez entre as pessoas que transitam no ambiente urbano a fim de minimizar qualquer discrepância e atenuar a segregação socioespacial sofrida pelos moradores da periferia das cidades. Desse modo, o Estado lockeano poderá ser consolidado, uma vez que assegurará igualdade em relação a mobilidade a todos.