A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 24/10/2019
Em 1956, Juscelino Kubitscheck ao assumir a Presidência da República, instaurou o Plano de Metas, em que investiria, principalmente, nos setores energéticos, de transporte e industrial. Assim, a implantação da indústria automobilística juntamente com os incentivos fiscais estimulou a compra de automóveis.No entanto, o planejamento urbano para atender a demanda não foi estruturado, simultaneamente. Logo, as consequências desse processo estão cada vez mais intensificadas na sociedade. Nesse sentido, convém identificar os problemas que impulsionam à crise da mobilidade urbana brasileira.
Em primeira análise, é importante destacar que o transporte rodoviário é o meio de locomoção mais utilizado no Brasil, pois segundo dados do G1, 75% das mercadorias do país têm seu escoamento feito pela malha rodoviária. Isso acontece devido o seu pouco investimento inicial e seu maior alcance nacional. Todavia, sua considerável dependência, acentua à crise da mobilidade urbana, pois em maio de 2018, a greve dos caminhoneiros causada pelo aumento do combustível trouxe consequências desastrosas, como o desabastecimento de supermercados, perca de cargas perecíveis, falta de medicamentos e até mesmo estado de emergência em alguns Estados, como São Paulo e Porto Alegre.
Além disso, nota-se, também, a falta de efetividade nas ações governamentais para a melhoria da mobilidade urbana, visto que o Poder Público, em 2013, criou o Plano Nacional de Mobilidade Urbana. Nesse plano, os municípios com mais de 20 mil habitantes deveriam elaborar até 2018, um projeto adequado para sua região, que visasse melhorias nos transportes coletivos, equidade de acesso, segurança e integração física, tarifária e operacional entre os transportes e serviços de circulação urbana. Contudo, a precariedade associada ao monópolio das concessionárias de ônibus, trens e metrô, contribuiu, significativamente, nas dificudades de legitimidade dessa ação, uma vez que o livre mercado aumenta a qualidade, diminui o preço das passagens e dos impostos, por conta da competitividade.
Fica claro, portanto, a necessidade de mudanças enérgicas desse cenário preocupante. Assim, o Ministério do transporte em parceria com as empresas distribuidoras devem investir em flexibilidade nos modais de transporte, como hidroviário, aeroviário, ferroviário e rodoviário, a fim de equilibrar o fluxo nas rodovias e possibilitar outras rotas de escoamento. É importante, também, que o Estado possibilite o livre mercado dos transportes públicos, uma vez que proporciona menos impostos, mais qualidade, fiscalização e consequentemente o aumento de adeptos aos transportes públicos.