A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 19/10/2019

O poema “Stop a vida parou ou foi o automóvel?” do modernista Carlos Drummond de Andrade evidencia a crise nos modais de transporte urbano somado aos desafios da vida moderna que exige cada vez mais agilidade. Portanto, não é razoável que o deslocamento nas cidades seja historicamente tratado com indiferença. Com efeito, evidencia-se a necessidade de construção de uma mobilidade urbana eficiente pressupondo ação conjunta entre população e poder público.

Sob uma primeira análise, é necessário repensar o investimento em estratégias incapazes de suprir a demanda. A esse respeito, o plano de metas do ex presidente Juscelino Kubitschek que visava avançar 50 anos em 5 investiu de forma prioritária no modelo rodoviarista e motivou a população adquirir veículos, sem os quais seria impossível o deslocamento nas cidades. Ocorre que o modelo automobilistico promovido por JK ainda promove a desigualdade social, na medida que atende apenas a minoria detentora de poder econômico. Dessa forma, é incoerente que, o poder público persista em não oferecer mobilidade inclusiva.

Em uma segunda análise, o carrocentrismo é outro fator que potencializa o problema da mobilidade no Brasil. O culto ao carro virou sinônimo de status e valor simbólico sendo nocivo a à saúde da sociedade. Nesse contexto, o grande contingente de automóveis e congestionamentos é resultado da influência midiática cultural e historicamente marcada no individualismo na qual a principal consequência é a emissão de gases poluentes. Tais substâncias advêm da combustão de gasolina e diesel e é capaz de trazer impactos irreversíveis à coletividade e ao equilíbrio ambiental. Dessa forma, enquanto o histórico culto ao carro se mantiver, o Brasil será obrigado a conviver com um dos mais graves problemas para as cidades: o trânsito poluente

É urgente, pois que medidas sejam efetivadas. A começar, cabe ao Governo Federal em conjunto com as três esferas, melhorar condição das vias públicas. A cargo da ANTT - Agência Nacional de Transportes Terrestres-, através de contratos administrativos com as empresas de transportes públicos, deve estabelecer a renovação periódica da frota poluente e ampliar e melhorar a oferta de trens e metrôs, com a finalidade de propagar o transporte público mais eficiente e de forma isonômica. Assim,a partir de ações conjuntas entre sociedade e poder público visaria a desconstrução do culto ao carro reduzindo o número de veículos particulares nas vias. Dessa maneira,melhoraria o tecido social e, nem o automóvel e nem a vida pararia como na poesia de Drummond.