A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 24/10/2019

Na obra “Cegueira Moral”, do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, é relatada a falta de sensibilidade da sociedade em meio às dores do indivíduo, em conjunto com a ausência de sentido da palavra comunidade, em um mundo imerso no individualismo. Nesse contexto, ao se analisar a crise na mobilidade urbana, percebe-se que a indiferença descrita por Bauman está extremamente presente nos problemas do século XXI. Esse cenário é fruto, tanto da falta de políticas públicas eficientes, quanto da falta de conscientização social vigente na sociedade. Diante disso, torna se fundamental a discussão desses aspectos, a fim de que se retome o sentido da palavra comunidade ainda nesse século.

Sobretudo, é fulcral pontuar que a dificuldade de locomoção nas vias urbanas deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população. Entretanto, isso não ocorre no Brasil, devido à falta de ação das autoridades, na criação de transportes públicos que realizem de forma eficiente a mobilidade social. Em consequência disso, as vias urbanas permanecem lotadas de automóveis, por ausência de opções viáveis, para que possa haver a substituição desses, pois  a grande maioria dos meios de transporte estatais não conseguem suprir a necessidade da população, sendo em sua maioria super lotados e sucateados.

Ademais, é imperativo ressaltar a omissão social por parte da população como impulsionadora do problema. De acordo com uma pesquisa publicada no portal de notícias G1, os veículos são responsáveis por cerca de 72,6% da emissão dos gases do efeito estufa. A partir desse pressuposto, nota-se que a conscientização ambiental, ainda é algo que precisa ser trabalhado na sociedade. Isso por que, meios de locomoção não poluentes, como exemplo, a bicicleta, não são vistos como prioridade nas vias urbanas, o que leva ao  congestionamento do trânsito e poluição da cidade com gases do efeito estufa, nos quais são grande aliados de problemas como o aquecimento global. Desse modo, a crise urbana está relacionada à impactos ambientais e deve ser combatida de forma urgente.

Portanto, é possível defender que impasses econômicos e sociais constituem desafios a se superar. É fundamental, em vista disso, que o Tribunal de Contas da União direcione capital, que por intermédio do Ministério da Infraestrutura, será revertido na criação ferrovias que substituam a necessidade de transporte automotivo nos estados, mediante ligações intermunicipais de forma rápida. Essas ferrovias terão trens de alta velocidade e grande capacidade de passageiros, para que se possa fornecer um transporte rápido, eficiente e seguro. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da crise na mobilidade urbana e a coletividade contornará a Cegueira Moral de Bauman.