A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 22/10/2019
Durante o governo JK, na década de 60, o desenvolvimentismo foi uma das marcas do então presidente, no qual construiu rodovias por grande parte do Brasil. Nesse sentido, essa política acarretou na atual situação de precariedade da mobilidade urbana no país, visto que com dimensões continentais não há possibilidade de apenas um transporte ser predominante. Desta forma, deve-se analisar como a falta da mobilidade urbana pode impactar a economia e a própria Constituição do Brasil.
Primeiramente, vale ressaltar que a Constituição Cidadã prevê o direito de ir e vir. Porém, é nítido que tal direito não é respeitado e, muitas vezes, tratado com descaso, já que inúmeras rodovias e calçadas se encontram esburacadas, não há acesso democrático aos portadores de necessidades especiais, além da ausência de ciclovias em diversas cidades. Essa condição foi retratada na abertura dos Jogos Paralímpicos Rio 2016, no qual um atleta não podia alcançar a pira olímpica por falta de acesso, o que comprova a imobilidade no país e o descumprimento da própria lei.
Outrossim, a crise na mobilidade urbana brasileira também afeta a economia. Geralmente, os trabalhadores moram em áreas periféricas e precisam se deslocar até os centros diariamente. Entretanto, para chegarem em tempo hábil precisam acordar mais cedo e ficar horas dentro das conduções, o que faz com que esse trabalhador não produza o seu máximo devido o cansaço, já durante o seu trajeto. Segundo a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, o Brasil perde cerca de 4% do seu PIB por causa da precariedade da mobilidade urbana.
Portanto, são necessárias ações eficazes solucionar a crise da mobilidade urbana brasileira. O Ministério das Cidades, em parceria com o Ministério da Economia, deve mapear as rodovias mais precárias, para reparo imediato ou até concessões, os modais mais viáveis para cada região, a determinação de horários contínuos de transportes públicos nas periferias e a construção de rampas e ciclovias, por intermédio de dados fornecidos pelas prefeituras, a fim de gerar mobilidade e respeito ao direito social.