A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 19/10/2019
Durante o governo do presidente brasileiro Juscelino Kubitschek, em 1956, tornou-se popular o uso de automóveis devido as facilidades propostas pelo governo. Trazendo para a contemporaneidade, é nítido que a popularização do uso desses veículos não previa os impactos que causaria à circulação de veículos do Brasil. Nesse contexto, é válido analisar as causas e os efeitos que geram a crise na mobilidade urbana.
É válido notar, em primeira análise, que as políticas de compras de automóveis a baixo custo e o sucateamento dos transportes públicos são as principais causas da atual crise. Pois, essa facilidade de compra em detrimento do sucateamento do modelos coletivos favorecem o aparecimento de mais carros e motos nas ruas, levando a imobilidade por excessos. Dessa forma, como dito pelo sociólogo Boaventura de Sousa Santos, o mercantilismo é um meio de dominação utilizado pelas empresas ligadas ao governo para obter o lucro. Assim, fica claro que medidas devem ser tomadas para reverter essa prática do clientelismo do Estado com as empresas.
Outrossim, destaca-se os efeitos do aumento de veículos em circulação que ocasiona a imobilidade das principais vias urbanas, bem como agrava a poluição do ambiente das cidades. Isso porque, o principal produto da queima de combustíveis usados nesses automóveis são o gás carbônico (CO2) e o monóxido de carbônico (CO): gases poluentes e tóxicos à saúde humana. No caso do CO seu principal efeito é a morte por asfixia, já o CO2 é o causador do aquecimento global, interferindo na temperatura global. Comprova-se isso através de uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP), em que cientistas provaram que em 5 anos temperatura mundial aumentará em média 2 graus celsius em decorrência dos gases causadores do aquecimento global. Sob esse viés, é notório a necessidade de se resolver esse impasse.
Entende-se, portanto, que ações devem ser postas em prática para reverter a atual crise mobilística. Nesse sentido, a fim de atenuar a problemática, o Poder Legislativo deve criar leis que criminalizem qualquer ato de beneficiamento a empresas privadas em prol de sua lucratividade, evitando assim o sucateamento indireto aos transportes públicos. Por outro lado, o Ministério da Infraestrutura, responsável pelas melhorias das cidades, precisa investir em melhorias para os modelos coletivos de locomoção, ativando assim o interesse por parte da população em evitar o uso de carros privados. Por fim, faz-se necessário a divulgação, pelas mídias abertas, de campanhas, que utilizem a função conativa da linguagem, dos impactos causados pelos poluentes e seus efeitos no organismo como apelo para a mudança dos costumes e a melhora da locomoção trazida por Juscelino para todos.