A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 18/10/2019
A política de incentivo à construção de rodovias e à compra de carros é uma realidade no Brasil, desde o final da década de cinquenta. Como consequência, nos dias atuais, os meios urbanos e os veículos automotivos tornaram-se indispensáveis ao funcionamento das capitais estaduais. Contudo, não houveram reformas significativas no nicho da mobilidade brasileira, ocasionando o crescimento desordenado das vias urbanas. Tal fator afeta diretamente a qualidade de vida de motoristas e pedestres e, por isso, faz-se necessária a discussão acerca do descompasso entre o crescente número de veículos nas ruas e a insuficiente estrutura para recebê-los.
É importante ressaltar, em primeiro plano, que devido a falta de planejamentos houve o atraso da implantação de malhas de transportes alternativos no Brasil. É possível apontar exemplos internacionais, como Nova Iorque e Tóquio, em que há a exploração de metrovias, ciclovias e hidrovias no suporte ao fluxo de pessoas e serviços. Contudo, no Brasil, a integração de modais é demasiadamente precária e, geralmente, restrita aos ônibus coletivos de pouca qualidade. Diante de um cenário de lotação, falta de segurança e ineficiência no cumprimento de horários, os brasileiros optam pela compra de automóveis particulares, preservando um aumento médio anual de 2% no número de carros adquiridos.
Sob essa conjectura, devido a priorização das vias para circulação de carros e motocicletas, são raros os espaços disponíveis para os de modais alternativos, como bicicletas e patinetes, restritos a menos de 4% das vias exclusivas nas grandes cidades, segundo o site G1. Na maioria das situações, há uma disputa perigosa pelo espaço a ser ocupado entre automóveis motorizados e os não motorizados. Tal realidade é um eminente desestimulador para a opção por formas sustentáveis de transporte, que, se fossem valorizados, ajudariam na redução da emissão de gases estufas e poluição sonora nos centros.
Infere-se, portanto, que a crise na mobilidade urbana brasileira é uma problemática nacional que suscita uma ação interventiva do Governo Federal em parceria com os Governos Estaduais em prol da elaboração de planejamentos urbanos e espaciais. Cabe aos governos a aplicação de verbas públicas para a melhoria na infraestrutura dos transportes coletivos, para que seja oferecida uma melhor qualidade em conforto e eficiência, garantindo que a população passe a optar por tais serviços. Ademais, deve ser priorizado o estabelecimento de integrações de modais de transportes, como ciclovias interligadas à pontos de ônibus coletivos, para ampliar o espectro de possibilidades de locomoção urbana. Dessa forma, as cidades brasileiras caminharão rumo ao desenvolvimento sustentável e funcional.