A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 22/10/2019
Émile Durkheim, sociólogo francês, dizia que além de formador da sociedade, o homem é fruto dela. Nesse sentido, os problemas de mobilidade urbana no Brasil têm contexto cultural. Por isso, pode-se citar a precariedade dos transportes públicos, que sofrem sem investimentos necessários, e o desejo de possuir um automóvel, o que afere status no meio social.
Cabe pontuar, primeiramente, que o transporte coletivo é historicamente precário. Tal fato pode ser comprovado por dados do aplicativo Moovit, que revela o tempo médio de espera por um ônibus no Brasil, podendo chegar a 34 minutos em Manaus. Além disso, há poucas ciclovias, em São Paulo, por exemplo, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística 59% da população é favorável a ampliação e criação das mesmas, contudo muitas são criadas a esmo. Observa-se, então, que tal déficit na qualidade existe e acaba por favorecer a opção por carros e motos.
Outrossim, atualmente, possuir um automóvel é sinal de destaque. Ademais, Paulo Freire, filósofo brasileiro, dizia que se a educação não liberta, o sonho do oprimido é ser opressor, então, ao se observar o contexto cultural do país, vê-se que é compreensível tal sonho de ter carro. Contudo, tal desejo concretizado acaba por acentuar o problema de mobilidade que as cidades brasileiras apresentam. Sendo assim, com os recentes juros em baixa histórica, tal facilidade é catalisadora para a problemática em questão.
Fica claro, portanto, que há uma crise de mobilidade urbana no Brasil. Logo, cabe à Prefeitura, via Secretaria dos Transportes, investir na melhora dos transportes públicos, com concessões de novas linhas de ônibus e ampliação das de metrô, aumentando a quantidade de bairros atendidos e o número de pessoas que utilizam, a fim de reduzir o uso dos transportes individuais e ampliar o dos coletivos. Por fim, tomada tal medida, o homem poderá formar uma sociedade que perde menos tempo no “ir e vir” diário.