A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 17/10/2019

O documentário “Urbanized”, de 2015, aborda a história das mais famosas cidades espalhadas pelo mundo, relatadas por arquitetos, planejadores e políticos que exploram as vantagens e desvantagens da vida urbana e seus reflexos na qualidade de vida da população, dentre os quais, as mazelas da locomobilidade nos municípios. Concomitante a isso, no Brasil, agrava-se a crise da mobilidade urbana. Nessa perspectiva, tal desafio deve ser analisado e superado de imediato para que o bem estar social seja alcançado.

É relevante abordar, primeiramente, de acordo com a Constituição Federal de 1988, quanto ao dever do Estado em fornecer para a sociedade meios de integração e melhoria na acessibilidade urbana. Contudo, a realidade é justamente o oposto e o resultado desse contraste pode ser refletido no atual cenário brasileiro. Segundo dados divulgados pelo Ministério das Cidades em 2018, apenas 6% das cidades brasileiras contam planos de mobilidade urbana. Diante do exposto, fica evidente que a população é impossibilitada de desfrutar um direito assegurado por lei.

Faz-se mister, ainda, salientar a ausência de políticas públicas bem definidas sobre o transporte público e a organização urbana como impulsionadores da crise mobilística nas cidades e responsáveis pela disseminação de consequências diversas aos indivíduos, tais como o aumento das chamadas “cidades dormitórios”, dos acidentes de trânsito e problemas de saúde devido a concentração da poluição atmosférica em decorrência do fluxo automobilístico intenso.

Infere-se, portante, que há entraves para garantir a solidificação de politicas que visem assegurar o bem estar social. Dessa maneira, urge que as entidades governamentais direcionem verbas adequadas ao Ministério das Cidades, em conjunto com as Secretarias Municipais de Mobilidade Urbana, a fim de ampliar e reparar a rede pública de transporte ofertada a população e  incentivar a redução do uso de carros pelos indivíduos. Ademais, o Ministério das Cidades, juntamente com o setor midiático, deve promover propagandas e campanhas que visem estimular a população a adotar o uso compartilhado de automóveis por pessoas que realizam trajetos em comum, no intuito de amenizar o impasse urbano vivido. Dessa forma, o Brasil pode superar a crise na mobilidade urbana.