A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 17/10/2019
O filósofo Parmênides afirmava que nada flui. Na contemporaneidade, a teoria do pré-socrático solidifica-se na mobilidade urbana do Brasil. Tal problemática é vista nos enormes engarrafamentos ocorridos diariamente nas cidades brasileiras, a exemplo de São Paulo. Logo, a crescente crise na mobilidade urbana brasileira têm fundamentos históricos e políticos.
Em primeiro lugar, é necessário averiguar o grande incentivo do rodoviarismo implantado, sobretudo, no governo de Juscelino Kubitschek, que proporcionou o não emprego de outras formas de transporte. Essa medida política acarretou na baixa diversidade de modais de transportes, propiciando uma alta concentração de veículos nas ruas, avenidas e estradas. Assim, a adoção do rodoviarismo, no Brasil, como principal modal de transporte, prejudica a mobilidade urbana do país.
Ademais, é válido ressaltar as condições precárias dos transportes públicos no Brasil. Segundo uma pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), 55% dos brasileiros estão insatisfeitos com o serviço oferecido pelo Estado. Isso indica a preferência de muitos indivíduos pelos veículos privados, que em grande quantidade “incham” as ruas das cidades brasileiras. Dessa forma, a má qualidade dos transportes coletivos influencia no aumento do impasse da mobilidade urbana.
Depreende-se, portanto, que o crescente problema sobre a mobilidade urbana no Brasil, tem raiz histórica e política. Assim, é pertinente que os governos Estaduais e Municipais reforme os transportes públicos, tornando-os mais confortáveis e seguros. Se for uma serviço terceirizado, deve haver maior fiscalização por parte do poder público à empresas responsáveis, a fim de melhorar os transportes coletivos e incentivar o uso deles por parte da população, para que, dessa forma, haja um “desafogamento” dos trânsitos. É lícito, ainda, que outros modais de transportes sejam implantados, como ciclovias e ferrovias, diversificando as formas de locomoção. Só assim as cidades poderão viver conforme anunciou o filósofo Heráclito, “tudo flui”.