A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 16/10/2019
Em “Cheias de Charme”, telenovela da globo, é retratada a vida de três empregadas domésticas do subúrbio. Nesse contexto, elas ficam famosas com uma música que se espalhou pela internet-a qual, em princípio só era uma diversão para elas-, essa letra apresenta os dilemas de morar longe do trabalho e precisar se deslocar em ônibus quase sempre lotados e sem estrutura. Fora da ficção, a realidade ambientada pela globo não se distância da encontrada no país do tráfego intenso: gradativamente, a falta de incentivos em formas alternativas de transporte aliado ao descaso com os transportes públicos corroboram para a acensão da crise de mobilidade urbana no país.
Segundo a teoria de Thomas Morus, em sua obra “A ilha de Utopia”, é possível aliar desenvolvimento econômico à sustentabilidade. Para tanto, a sociedade precisa ser consciente e em consonância deve haver investimentos para isso. Contudo, essa utopia de Morus se apresenta como distópica em relação a atual conjuntura do país. Uma vez que, é mínima a porcentagem de transportes solidários no país-o que contribui para mais carros nas vias-, além disso outro meio que reduziria significativamente os automóveis são os ônibus. Isto é, para cada ônibus que comporte em média quarenta pessoas, oito carros são substituídos nas ruas. Entretanto, para que isso seja possível os ônibus precisam atrair- serem climatizados, seguros, terem flexibilidade de horários.
Ademais, segundo uma pesquisa do IBOPE de 2015, oitenta e três porcento dos entrevistados disseram abrir mão de seus veículos caso os transportes públicos do país oferecessem qualidade. Contudo, não é o que se observa ao analisar esses modais de transporte. Somado a isso, na medida em que se faz análise da teoria contratualista de Thomas Hobbes-a qual apresenta o Estado como o provedor da paz e da ordem-, observa-se de imediato a violação ao contrato social de Hobbes. Dado que, é dever do Estado garantir o desenvolvimento harmônico da sociedade, porém, com o descaso em relação a mobilidade o que resulta são pessoas cada vez mais estressadas podendo até mesmo desenvolverem distúrbios em consequência do transito caótico e o aumento da poluição contribuindo significativamente para o aquecimento global, inversão térmica e as ilhas de calor.
Portanto, a fim de diversificar as formas de se locomover no país, possibilitando a escolha por aqueles meios de transporte que menos ofereçam impactos negativos à saúde e ao meio ambiente, é fundamental atuação governamental. Para tanto, mediante uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias feita pelo Congresso Nacional, busca-se mais investimentos nos transportes públicos do país: com tarifas mais acessíveis, comodidade e segurança. Assim, a sociedade brasileira caminhará para acensão das bases formuladas por Morus para se alcançar o estágio da “Ilha de Utopia”