A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 16/10/2019

Segundo Zygmunt Baulman, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é característica da modernidade líquida, vivenciada no século xx. Nesse contexto, analisando o pensamento do sociólogo polonês, essa realidade imediata perpetua-se com a crescente crise na mobilidade urbana no país. Desse modo, é cabível analisar os aspectos que colaboram para esse impasse, os quais ocorrem devido ao elevado número de veículos nas cidades e à negligência do poder público.

Em primeiro plano, convém ressaltar o aumento do fluxo de veículos nas ruas como impulsionador do problema. Dessa forma, pode-se destacar o uso irresponsável como reflexo do individualismo e falta de empatia da sociedade brasileira. Segundo o IBGE,74% da população opta por deslocar-se em seus próprios automóveis, seja para o trabalho ou outra atividade, pois não confiam no transporte público por questões de segurança, infraestrutura e alto custo das passagens. Assim, fica evidente a necessidade de uma revisão cultural e estrutural para melhoria da crise.

Outrossim, é indubitável que a negligência do Estado coopera negativamente para a problemática. Consoante o site g1, ocupando a sétima posição na economia mundial, seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema de transporte público eficiente. No entanto, a realidade é justamente o oposto, e isso reflete claramente nos congestionamentos quilométricos enfrentados diariamente em grande parte dos centro urbanos. Além disso, a falta de investimento em meios alternativos de deslocamento, a exemplo de ciclovias denotam a inércia estatal.

Infere-se, portanto, que ações são essenciais para minimizar o problema. Sendo assim, para a consciencialização da sociedade e a ampliação das formas alternativas de deslocamento, urge que o Estado, por meio de verbas governamentais, crie mecanismo para estimular o uso de transportes públicos, de forma a reduzir o valor das passagens, garantir a segurança dos usuários e expandir as faixas exclusivas. Ademais, o Estado, ainda, deve promover grande divulgação midiática em jornais de grande audiência, propagandas em horários nobres e na internet, de forma a detalhar os principais problemas enfrentados para a dissolução do entrave e as possíveis soluções para questões que assolam a mobilidade urbana brasileira.