A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 16/10/2019
O ciclo de desenvolvimento ocorrido no Brasil dos anos 50 priorizou, essencialmente, o modelo rodoviário. Nesse período, a tendência de interiorização urbana, sinalizada com a construção de Brasília, resultou no aumento significativo da quantidade de estradas e rodovias. A indústria automobilística, por sua vez, cresceu significativamente, impulsionada pelo aumento na demanda por veículos. Foi, então, apenas uma questão de tempo para os sintomas da saturação do sistema rodoviário aparecerem: constantes congestionamentos, perdas financeiras e deterioração da qualidade de vida. Por causa desses problemas, medidas precisam ser tomadas para desafogar o sistema rodoviário e contornar a crise na mobilidade urbana, de modo a permitir a fluidez das atividades econômicas e recreativas da população.
Parte significativa da crise decorre do histórico de baixa qualidade e confiabilidade do transporte público. Devido aos escassos investimentos e à fiscalização governamental insuficiente, o serviço é caracterizado pela superlotação, demora, falta de integração e de pontualidade, bem como pelas quebras constantes nos veículos.
Essas características tem o efeito adverso de catalisar a escolha das pessoas pelo carro como meio de transporte, aumentando ainda mais a saturação das ruas e estradas. Segundo estudo do Ibope, em 2018, 37% das pessoas que não usam transporte coletivo apontaram a superlotação como motivo para não usar o meio de transporte, enquanto 32% justificaram a decisão pela demora do trajeto.
Para contornar o problema, melhorar o transporte público é uma das melhores alternativas. Essa estratégia tem funcionado em diversos países, e depende do estabelecimento de condições e infraestrutura para o bom funcionamento do sistema, como a criação de faixas exclusivas e as condições para integração de modais. Também deve haver uma rigorosa fiscalização governamental sobre a qualidade dos serviços, como requisito para a manutenção da concessão de exploração pela iniciativa privada.