A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 16/10/2019

O escritor inglês Thomas More, em sua obra “Utopia” descreve uma sociedade perfeita, na qual o corpo social é padronizado pela ausência de problemas e conflitos. No entanto, o cenário que se observa na realidade é diametralmente oposto ao que prega o autor, visto que problemas de mobilidade urbana apresentam barreiras que dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da falta de infraestrutura dos serviços comunitários de transporte, quanto do forte incentivo do poder público à compra de automóveis. Diante disso, faz-se urgente a discussão sobre o assunto, a fim de proporcionar o pleno funcionamento da sociedade.

Precipualmente, é fulcral pontuar que os transtornos relacionados à mobilidade urbana no Brasil derivam da falta de competência dos setores governamentais responsáveis, no que concerte a instituir e manter mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, é dever do estado promover o bem estar da sociedade. Isso não acontece no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, os cidadãos se sentem acuados em utilizar os serviços públicos de transporte, sendo que o desconforto e a insegurança são queixas comuns quando se trata do assunto.

Ademais, é imperativo ressaltar que o forte incentivo governamental à compra de veículos automotores atua de forma a agravar o caos. Políticas de isenções fiscais para montadoras e cidadãos estão constantemente em pauta, e visam aumentar a atividade industrial e gerar mais circulação de capital e arrecadação de impostos. Partindo desse pressuposto, observa-se uma falta de coerência no direcionamento das políticas públicas, que por um lado incentivam a compra de carros, e por outro, mostram-se preocupadas com o caótico trânsito urbano. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que esses estímulos contribuem para a perpetuação desse quadro deletério.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar a crise na mobilidade urbana brasileira, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio dos estados e municípios, será revertido em melhorias de infraestrutura na malha viária urbana, através da ampliação de corredores exclusivos para transporte público e criação de novas ciclovias. Não obstante, o Ministério da Fazenda deve rever sua forma de incentivo à atividade industrial no país, de modo que realize suas concessões em áreas que não prejudiquem a mobilidade urbana, como por exemplo, subsídios à empresas que atuem diretamente na cadeia de suprimentos responsável pelos transportes públicos e coletivos. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo dos problemas de mobilidade urbana, e a coletividade alcançará a Utopia de More.