A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 16/10/2019
Um dos grandes marcos da Revolução Industrial é a urbanização crescente, o que propicia uma sociedade mais dependente e interligada, nos moldes da sociologia de Durkheim, como um organismo biológico. Entretanto, a crescente crise da mobilidade urbana brasileira é um entrave à coesão social, que ocorre em função da ineficiência estatal na gestão das cidades e do paradigma cultural do consumismo, sendo, portanto, necessário uma análise mais profunda.
Em uma primeira abordagem, a visão do geógrafo Milton Santos se faz fundamental, visto que a macrocefalia urbana e o inchaço nas ruas é exponenciada quando há má administração dos setores públicos. Nessa perspectiva, a negligência com os meios de transporte coletivos dificulta a mobilidade, em razão da precarização da infraestrutura em atender as demandas, dado o grande fluxo populacional que necessita desses meios. Além disso, o número de ciclovias existentes nas grandes cidades ainda é muito baixo para uma efetiva inserção desse meio como alternativa viável. Por exemplo, em países como a Holanda, o número de trabalhadores que utilizam bicicletas para deslocamentos diários é muito maior que no Brasil, visto que há condições técnicas e de logística para tal, que vai muito além do senso comum de questões climáticas.
Outrossim, destaca-se a cultura do consumismo, denunciada pela Escola de Frankfurt, na qual a mídia cria padrões de necessidade de consumo, com o objetivo de maximizar o lucro de grandes empresas. Sob esse viés, o uso de carros no país cresce num ritmo alarmante, aumentando o translado individual de pessoas, prejudicando o coletivo e o direito de ir e vir de outros cidadãos, que é previsto pela Constituição. Dessa forma, aumenta-se o gasto diário de tempo no trânsito, à medida que se diminui a qualidade de vida em geral, proporcionando pessoas estressadas, com menos tempo para lazer e atividades mais prazerosas, gerando uma conjuntura que necessita de mudanças.
Destarte, a Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana dos municípios deve promover uma maior concorrência entre as empresas terceirizadas dos serviços de ônibus, com o fim dos monopólios entre poucas empresas que fazem acordos mútuos ilegais, por meio de uma política de incentivos fiscais a novas empresas, a fim de fomentar o livre mercado e a melhoria na qualidade dos serviços, sendo possível atender as demandas. Ademais, a SEMOB também deve priorizar soluções para o aumento da malha cicloviária, para aumentar o acesso comum a essa alternativa de transporte. Logo, com serviços melhores e mais opções ao cidadão, será possível amenizar o impacto midiático acerca dos transportes individuais, mitigando os efeitos da crise da mobilidade urbana no país.