A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 20/10/2019
JK, no final da década de 1950, projetou Brasília - a capital do País - com o intuito de inaugurar uma cidade que seria o modelo em infraestrutura para o restante do Brasil. No entanto, mesmo com a tentativa alavancar o desenvolvimento urbano do ex presidente, a realidade de hoje é que maioria dos municípios brasileiros enfrentam graves problemas no quesito eficiência em deslocamento da população nas malhas urbanas. Portanto, é pertinente analisar duas importantes causas para essa deficiência em mobilidade urbana: o crescimento desordenado das cidades e a falta de planejamento no transporte.
Primeiramente, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2018, mais de 50% da população recebia menos de um salário mínimo para seu sustento mensal, ou seja, grande parte das pessoas são impossibilitadas, economicamente, de residirem em locais centrais com maior facilidade de deslocamento e migram para áreas periféricas. O fato de estar longe do pólo econômico das cidades não é um problema, desde que exista um transporte público eficiente; porém, a migração para a margem urbana acontece de forma desordenada e faz com que as Prefeituras não consigam subsidiar serviços básicos em tempo hábil. Assim, esse crescimento caótico dos municípios tonar-se grande empecilho para a obtenção da eficiência almejada no deslocamento das pessoas.
Somado a isso, estudos do IBGE, em 2018, mostram que mais de 95% das cidades brasileiras não possuíam o Plano de Transporte exigido por lei desde 2012. Esses dados revelam que há um descaso por parte das esferas municipais de gestão no que diz respeito à qualidade de vida das pessoas, afinal, um transporte precário e demorado, influencia diretamente no estado emocional - estresse, raiva. Logo, são necessárias medidas para cumprir a legislação vigente e efetuar os planejamentos de forma rápida, não apenas com intuito de melhorar o deslocamento mas também a saúde das pessoas.
Evidencia-se, então, que a situação deficitária da mobilidade urbana brasileira é problemática complexa e urgente. Por isso, cabe às Prefeituras, detentoras da gestão municipal, elaborarem planos efetivos de infraestrutura que abordem previsões de curto, médio e longo prazo, com atualizações anuais, para que os serviços públicos acompanhem o crescimento das cidades. Paralelamente, cabe ao Estado exigir o cumprimento das leis por parte de todas as esferas de organização nacional, a fim de ter uma Nação coesa com os princípios da Constituição. Feito isso, os brasileiros desfrutarão da felicidade em ter o modelo de cidade idealizado por JK.