A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 16/10/2019

O fordismo é uma forma de organização industrial que surgiu no Século XX e tem como objetivo uma produção rápida, massiva e barata. Nesse modelo, a indústria automobilística foi a mais adepta, visto que, com o crescimento das cidades modernas, os indivíduos passaram a ter o desejo de comprar o próprio carro, facilitando a sua mobilidade. Entretanto, esse aumento exponencial na quantidade de veículos pessoais gerou uma série de problemas, como engarrafamentos e maior emissão de poluentes. Nesse contexto, no Brasil contemporâneo, a ineficácia dos serviços de transporte e o excesso de veículos pessoais são fatores que dificultam a mobilidade urbana.

Juscelino Kubitschek, ex-presidente do Brasil, é conhecido por ter feito um governo desenvolvimentista, que fez a indústria automobilística ganhar espaço no País. Isso acarretou, em um primeiro momento, em uma série de mudanças positivas, mas que, futuramente, se tornariam problemas de mobilidade, já que, em seu governo, houve um abandono no investimento de transportes diferentes do rodoviário em detrimento de uma facilitação na compra de carros pessoais. Desse modo, na contemporaneidade, a falta de serviços de transporte público diversos ainda é um problema, pois o Governo parece estar mais preocupado em manter essa política favorável ao mercado.

Por outro lado, o incentivo à compra dos carros pessoais também prejudica a mobilidade urbana. A Indústria Cultural, termo criado por filósofos da Escola de Frankfurt, consiste no modo de produzir cultura no sistema capitalista, visando o lucro. Nessa lógica, nos anos 1920 (EUA), esse modelo foi utilizado pela indústria automobilística para criar uma cultura que valorizasse a compra de carros pessoais. Na contemporaneidade, pode-se notar que essa estratégia ainda é efetiva, visto que o número de carros nas ruas é cada vez maior, como aponta pesquisa do Departamento Nacional de Trânsito, que mostra que o número de automóveis aumentou em 110,6% nas principais áreas urbanas entre 2001 e 2014, gerando mais problemas de mobilidade urbana.

Portanto, devido às deficiências no sistema de transporte público e à cultura de valorização do carro pessoal, a mobilidade urbana é precária no Brasil contemporâneo. Desse modo, o Ministério da Infraestrutura deve melhorar os sistemas de transporte existentes e implementar novas modalidades, conferindo maior área de cobertura e número de passageiros suportados nos grandes centros urbanos, o que diminuiria a necessidade da compra de veículos pessoais. Além disso, o Governo Federal, na figura do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, deve criar políticas de incentivo ao uso de veículos compartilhados que devem ser divulgadas em rede nacional por meio de propagandas nas principais mídias, com o fim de desnaturalizar a cultura do carro pessoal.