A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 15/10/2019

O século XXI é caracterizado pelo desenvolvimento de grandes centros urbanos, como as metrópoles globais. O grande número de moradores nessas áreas promove o desenvolvimento de regiões metropolitanas constituídas pela conurbação de cidades. Nesse cenário, a mobilidade urbana representa aspecto fundamental para possibilitar a migração pendular de trabalhadores e o consumo de mercadorias. Portanto, o crescente número de veículos individuais, como carros e motocicletas, associado à insegurança nos transportes públicos inviabilizam o fluxo contínuo do trânsito.

Em primeira análise, a melhoria no poder aquisitivo da classe C possibilitou que esses adquirissem novos bens de consumo. Influenciada pela economia neofordista e com a ideia de ascensão social caracterizada pelo consumo, a nova classe média ao adquirir o próprio meio de transporte influencia diretamente a mobilidade nos centros urbanos. Essa mudança econômica piorou os índices de congestionamento nas cidades, visto que, segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) o Brasil tem um carro a cada quatro habitantes. Nesse sentido, é perceptível que o consumo de veículos individuais não resolve o problema da mobilidade urbana.

Em contrapartida, a preferência por transportes individuais, apesar de problemática, pode ser justificada pelo número insuficiente de transportes coletivos e pela insegurança a qual são submetidos seus usuários. O filme “Última parada - 174” retrata um caso real do sequestro de um ônibus, ocorrido no Rio de Janeiro, em que passageiros foram feitos reféns e no desfecho uma pessoa foi assassinada. Apesar da ocorrência desse caso, os índices de sequestros e assaltos aos ônibus ainda são crescentes, segundo levantamento de 2016, realizado pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), em 19 anos foi registrado um total de 53.479 assaltos. Além disso, a frota ofertada é insuficiente e, dessa maneira, possibilita a superlotação desses veículos.

Por conseguinte, para que o fluxo urbano seja proporcional ao desenvolvimento das cidades. O ministério dos transportes deve estabelecer parcerias com empresas de transporte público e de segurança, dando incentivos fiscais àquelas que aumentarem a segurança dos passageiros com a contratação de profissionais. Elas devem, ainda, aumentar a frota pela aquisição de novos veículos de modo a atender a demanda dos usuários. Além disso, para fomentar o uso desses meios pela população, as empresas prestadoras de serviços devem criar um cadastro dos clientes com o intuito de bonificar mensalmente com um dia de passagens gratuitas os usuários regulares. Assim, a oferta de serviços de qualidade habituará a população a aderir ao transporte público.