A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 17/10/2019

No Brasil, com a Revolução Verde e a mecanização do campo, houve um intenso êxodo rual, o qual acarretou  crescimento desordenado das cidades, de forma a gerar a crise da mobilidade vigente. Esse cenário, seja pela insuficiência governamental, seja pelo desejo alienado de compra de automóveis pela população, se configura uma grave mazela social que segue se agravando a cada dia, o que torna necessária a discussão acerca dessa problemática.

Primeiramente, a falha atuação do Estado se revela uma das raízes do problema. A Carta Magna brasileira garante a todos os cidadão o direito a usufruir de estruturas públicas de qualidade. No entanto, a realidade do país vai de encontro a essa premissa, no que tange ao transporte público, posto que ele não atende as necessidades da população, tendo em vista as altas tarifas cobradas, o estado precário e o superlotamento. Esse contexto, além de dificultar o descolamento, acaba desmotivando a comunidade a gozar desse recurso. Porém, ela se torna refém desse defasado mecanismo, uma vez que as urbes não fornecem infraestrutura apropriada para quem busca subterfúgios a esse panorama, a exemplo do desabamento da ciclovia Tim Maia, no Rio de Janeiro, em 2016.

Ademais, outro aspecto agravante do quadro exposto é a alienação da sociedade relacionada ao consumo. De acordo com os filósofos Theodor Adorno e Max Horkheimer, membros da Escola de Frankfurt, a indústria cultural, que tem fins lucrativos, demonstra uma elevada capacidade de manipulação de comportamentos coletivos. Nesse sentido, filmes, como Velozes e Furiosos, associados às empresas automobilísticas desenvolveram um fetichismo na sociedade sobre os veículos automotores, de forma a alavancar as vendas dessa mercadoria, ao ponto que piorou avidamente os engarrafamentos nas cidades e, consequentemente, a crise supracitada. Como prova disso, o Observatório das Metrópoles divulgou que a frota de carros, nos últimos anos, cresceu cerca de 80%.

Portanto, o crescimento da crise da mobilidade urbana se mostra uma barreira a ser superada. Para isso, é necessário primeiramente que o Ministério dos Transportes promova a otimização do meio de locomoção público, por meio da disponibilização de mais veículos e da reforma dos ativos, para que atenda a demanda populacional, assim como propicie mais conforto aos cidadãos, de modo que haja o incentivo a utilização do recurso abordado. Por fim, as escolas, por intermédio de palestras e afins, deve estimular o desapropriamento de pensamentos consumistas relacionados aos automóveis da comunidade e ratificar o incentivo anteriormente citado, de maneira a reduzir os engarrafamentos e, por conseguinte, a mácula exposta, pois, como disse Immanuel Kant, “O homem é o que a educação faz dele.”