A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 13/10/2019

No contexto brasileiro, percebe-se a crescente existência de um cenário desafiador em se tratando das condições de deslocamento da população no espaço geográfico das cidades. Tal cenário pernicioso é fruto, sobretudo, dos incentivos à expansão da política rodoviária, promovida por Juscelino Kubitschek em seu governo, o que culminou no excesso de veículos individuais e em uma restrita malha de transporte público, causando graves problemas de mobilidade urbana no país. Nesse sentido, é importante discorrer acerca dos fatores que permitem o desenvolvimento desse imbróglio, visando à sua remediação.

Em primeira análise, cabe entender que a insuficiência de investimentos no setor de transporte público, como metrôs e ônibus é um dos responsáveis pelo estímulo à aquisição de carros para a locomoção urbana. Esse ponto se justifica à medida que as linhas da malha metroviária brasileira são escassas e, os ônibus em circulação se encontram lotados e em estado precário. Assim, em busca de conforto e segurança, a população opta pela utilização de automóveis, cuja frota dobrou nos últimos dez anos, segundo o Observatório das Metrópoles. Dessa forma, nota-se as poucas opções de locomoção nas grandes metrópoles alimentando os desafios da mobilidade urbana.

É válido ressaltar, ainda, que a crise da mobilidade urbana também compromete a qualidade de vida dos cidadãos. Em defesa dessa assertiva, é possível citar o fenômeno popularmente conhecido como “engarrafamento”, responsável pelo estresse e pelas horas perdidas no trânsito de muitos brasileiros. De acordo com o jornal O Globo, os paulistanos gastam em média o equivalente a 45 dias presos em congestionamentos. Logo, percebe-se a diminuição da qualidade de vida do indivíduo proporcionada pela má mobilidade urbana.

Urge, portanto, tomar medidas que visem solucionar o problema. Para tanto, as Secretarias de Transporte de cada estado devem ampliar a quantidade de linhas de metrôs no território brasileiro, e melhorar as condições dos transportes públicos já em circulação, por meio de maiores investimentos financeiros e fiscalizações de funcionamento que garantam o pleno bem-estar da população, com o fito de desincentivar a busca por carros e facilitar a locomoção nas cidades. Desse modo, poder-se-á garantir no Brasil uma mobilidade adequada e digna.