A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 12/10/2019

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a crescente crise da mobilidade urbana apresenta barreiras no Brasil, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto do sucateamento de meios de transporte alternativos, quanto da insegurança nas cidades. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Precipuamente, é fulcral pontuar que o reduzido investimento em transportes coletivos deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, a população prioriza utilizar meios de transporte individuais e isso gera um acúmulo excessivo de veículos nas vias. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar a periculosidade nas vias como promotor do problema. De acordo com dados do IBOPE (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística), o número de indivíduos apoiadores às ciclovias reduziu de 87% em 2014, para 59% em 2015. Partindo desse pressuposto, algumas pessoas sentem-se incertas para utilizar desse bem público. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que o número de assaltos nas vias ainda é grande, contribuindo para a perpetuação desse quadro deletério.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Destarte, com o intuito de mitigar o progressivo colapso da mobilidade urbana, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Infraestrutura e da Polícia Militar, será revertido em construção e policiamento de mais linhas ferroviárias nas cidades. Isso será feito por meio de estudos dos locais com maior tráfego de pessoas, promovendo novos e seguros metrôs nesses pontos, bem como atenuando o número de indivduos que utilizam automóveis nas vias. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do impasse, e a coletividade se aproximará da Utopia de More.