A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 18/10/2019

Na obra cinematográfica “A mulher invisível”, Selton Melo interpreta um engenheiro de tráfego em um empresa de mobilidade de transportes urbanos. O personagem vivencia as dificuldades na gestão da mobilização urbana, organizando medidas que viabilizem o fluxo e congregue os variados modelos de transportes no município. Fora da ficção, a crescente crise da mobilidade urbana brasileira agrava-se a cada dia por meio da intensificação e saturação das vias por transportes particulares. Isso se dá principalmente pela baixa qualidade dos serviços prestados por empresas de transportes coletivos e pela falta de infraestrutura dos transportes individuais das vias cicláveis municipais. Ambos os desafios são imprescindíveis de serem analisados e levados em consideração.

Em primeiro lugar, compreender que a escassez no oferecimento de meios de transportes coletivos municipais que supram a qualidade necessária de atendimento populacional é um dos mais preponderantes fatores que reforçam a opção do indivíduo em adquirir veículos particulares como carros para seu serviço de deslocamento pendular. Dada crescente gera o travamento viário e a crise na mobilidade. Neste sentido, o geógrafo Milton Santos salienta sobre a importância de se estabelecer a facilidade de acesso do indivíduo aos mecanismos de deslocamento, fator necessário na dinâmica social e na relação do ser humano com seu meio coletivo e regular.

Outrossim, a desestruturação de meios de circulação que facilitem e desenvolvam o costume de deslocamento de veículos individuais cicláveis como a própria bicicleta, possibilitaria maior fluidez e insaturação veicular, além de atender princípios absolutamente importantes do ponto de vista da minoração em termos de gases poluentes, impactantes tanto  em problemáticas relacionadas ao aquecimento global, quanto em outros efeitos químicos precursores de ilhas de calor e chuvas ácidas. O desenvolvimento de infraestruturas urbanas que apropriam-se do uso de bicicletas fundamentaria um processo integrado entre mobilidade coletiva e sustentabilidade.

Portanto, é mister que o Estado intensifique medidas que descontinuem a crise no tráfego urbano brasileiro. Assim, o Ministério das Cidades em parceria com o Ministério da Educação devem, respectivamente, criar programas de melhoria e modernização das frotas de ônibus coletivos municipais bem como na implementação de faixas viárias exclusivas a ciclistas, facilitando seu deslocamento de maneira segura e efetiva. Tal ação se fará por meio de projetos de planejamento urbano e investimentos no setor de infraestrutura e transportes. Ademais, far-se-á o oferecimento de cursos, palestras e workshops que instruam o cidadão quantos aos benefícios do uso de bicicletas ou transportes coletivos, provendo maior fluidez no tráfego urbano e preservação da liberdade de ir e vir.