A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 12/10/2019

Em 2013, diversas manifestações nas grandes cidades brasileiras chamaram atenção para a questão do transporte urbano. Embora tenham começado devido ao aumento de 20 centavos nas tarifas dos ônibus, os protestos tomaram proporções maiores e revelaram as dificuldades vividas pelos que exercem seu direito de ir e vir. Esses impasses exigem uma solução, e têm sua origem na ocupação sem planejamento dos grandes centros urbanos, além de serem motivados pela péssima qualidade do transporte público e ao aglomerado de pessoas na “hora do rush”

Em primeiro plano, cabe a análise histórica do processo de ocupação urbana como um fator agravante da crise de mobilidade. As grandes capitais, desde o Império, receberam um montante grandioso de habitantes, sem que houvesse um planejamento prévio. O problema agravou-se ainda mais na era da industrialização, já que atraiu a população rural e de outras regiões do país na busca por trabalho. Dessa forma, houve um inchaço populacional nas cidades, e elas não foram capazes de promover serviços de transporte eficiente para todas as pessoas.

Mais ainda, o trânsito é acentuado devido ao transporte de massa ineficiente e à insegurança na utilização de outros meios, como a bicicleta. Os ônibus estão frequentemente lotados, assim como os metrôs. Os piores horários são os chamados de “hora do rush”, em que a maioria dos trabalhadores está indo ou voltando do serviço, o que os faz perder horas em pequenos trajetos. Ademais, as ciclovias são escassas, e quem  utiliza bicicletas expõe-se ao risco de acidentes ao pedalar ao lado dos carros. Estes fatores somados incentivam o uso dos carros e agrava a crise.

Destarte, entende-se que é mister atenuar o trânsito caótico brasileiro. Para tal, é preciso que os parlamentares federais votem por uma lei que permita a flexibilização da jornada de trabalho, evitando, assim, a formação da “hora de rush” ao distribuir os trabalhadores em horários distintos. Além disso, o Governo Federal deve liberar verbas para a construção, aliado à esfera estadual, de ciclovias seguras para os que optarem por este meio.