A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 16/10/2019

É evidente que a mobilidade urbana é um fator importante, que por influenciar na dinâmica de deslocamento das pessoas, interfere, consequentemente, na produtividade das suas atividades. Porém, percebe-se que no Brasil essa condição de fluidez e facilidade de movimento mostra-se extremamente comprometida. O que se deve a fatores como falta de investimentos para diversificar os tipos de meios de locomoção e a precariedade do serviço oferecido nos transportes.

Primeiramente, por ter sido muito estimulado no século passado, o transporte rodoviário se tornou a principal forma de movimentação nas cidades. Este fato somado aos incentivos para aquisição de veículos resulta em intensos congestionamentos que saturam o ambiente urbano. Entretanto, apesar disso, as autoridades locais ignoram a necessidade da criação de uma política de locomoção alternativa e eficaz por causa da grande burocracia e da falta de investimentos para sua implementação. Além disso, uma pesquisa realizada pelo IBGE revela que 96% das cidades brasileiras não tem um plano de transporte elaborado. Consequentemente, essa falta de organização sobrecarrega as vias urbanas desnecessariamente, visto que o relevo e a hidrografia do país não restringe o transporte à esta modalidade, e sim, favorece a adoção de outras formas mais eficientes, sustentáveis e com maior capacidade de carga; como barcas e trens, por exemplo.

Somado a essa situação, é notório que a qualidade do transporte é um dos principais fatores que estimula a procura e utilização desse serviço pelas pessoas. Porém, a realidade brasileira não oferece esse requisito, visto a precariedade do serviço oferecido pelas empresas do ramo, que é evidenciada no atraso, na superlotação e no péssimo estado de muitas conduções. Estas más condições são, por sua vez, as principais causas repulsivas do uso do transporte coletivo e que provoca o inchaço das ruas ao estimular a preferência pelo uso do particular. Dessa forma, aquele tipo de locomoção que deveria servir como facilidade no deslocamento das pessoas, tem contribuído para a “desmobilidade” urbana, visto o transtorno que os cidadãos passam ao perderem, muitas das vezes, mais de duas horas do seu dia; seja no seu automóvel ou dentro de uma condução pública superlotada.

Percebe-se, portanto, que a falta de investimento em um segmento imprescindível como o de transporte urbano tem levado ao inchaço das cidades, proveniente do entupimento de veículos. Então, a fim de se evitar o caos no deslocamento das pessoas, as autoridades municipais em parceria com o sindicato das empresas de transportes deve desenvolver um plano de mobilidade citadina, por meio da criação de projetos que integrem os diferentes modos de transportes para elevar a sua eficiência. Assim, garante-se, na prática, a melhoria da qualidade e facilidade de locomoção dos indivíduos.