A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 10/10/2019

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a circulação automotiva urbana apresenta barreiras no cenário brasileiro, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse âmbito antagônico é fruto tanto da negligência do governo, quanto da tradição consumista. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento coletivo.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a crise na mobilidade urbana deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido a falta de atuação das autoridades, não só a escassez de investimentos nos transportes públicos como ônibus, metrôs e bondes, mas também em ciclorotas, monotrilhos e ferrovias de ruas elétricas agrava majoritariamente esse imbróglio. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postural estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar a cultura consumista como motivadora dessa adversidade. Conforme já afirmava o sociólogo inglês, Karl Marx, " o capitalismo gera o seu próprio coveiro". Partindo desse pressuposto, é inegável que a sociedade hodierna é tangida por maus hábitos de consumo exacerbado. Visto que, grande parte das famílias de classe média possuem mais de um automóvel, contribuindo essencialmente para o congestionamento mobilístico. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a tradição de comprar sem limite contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Portanto, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade nacional. Dessarte, com o intuito de mitigar a crise no tráfego urbano, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério de Urbanismo e Construção reverta em desenvolvimento de um planejamento urbano, através de planejamentos ferroviários associados não só a ciclovias, mas também ciclorotas que visem ao máximo a segurança dos pedestres. Outrossim, cabe ao indivíduo diminuir o consumo de carros, por meio do uso de transportes ecologicamente saudáveis como bicicletas. Logo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da aglomeração veicular nas vias, e a coletividade alcançará a Utopia de More.