A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 10/10/2019
Desde os governos de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek houve um grande aumento da quantidade de rodovias no Brasil, juntamente com o incentivo à entrada de empresas automobilísticas estrangeiras, que, por conseguinte, tornaram os carros um dos maiores objetivos de compra dos brasileiros. Com isso, é perceptível que o apreço pelos automóveis não é recente, mas sim, fruto de políticas públicas mal planejadas que resultaram na crescente crise da mobilidade urbana nas principais cidades do país, sendo necessário, portanto, repensá-las com o intuito de solucionar essa problemática.
Nesse contexto, o grande investimento nas rodovias fez com que outras matrizes de transporte de carga, como ferroviária e hidroviária, indicadas para grandes volumes e distâncias, fossem negligenciadas pelo Estado, tornando os grandes caminhões a preferência no deslocamento de mercadorias. É o que demonstra a pesquisa realizada pelo IBGE, em que mais de 70% dos produtos brasileiros são transportados por matriz rodoviária. Dessa forma, há o aumento do trânsito nas grandes cidades, já que a maior parte delas não estão devidamente preparadas para o aporte de caminhões; poluição desenfreada, devido ao uso do diesel, um dos combustíveis mais poluidores; além disso, o excesso de peso transportado desgasta substancialmente o asfalto das cidades, provocando buracos e diversos outros problemas,que acirram ainda mais a crise da mobilidade urbana brasileira.
Outro aspecto a ser abordado é o que explora o documentário ‘‘Contested Street’’, do produtor americano Stefan Schaefer, que mostra como o poder público de Nova York renunciou uma rica concepção multi-dimensional da rua como espaço compartilhado para dar lugar a uma mentalidade que prioriza a individualidade dos carros. Por mais que a obra aborde o problema da cidade americana, indubitavelmente se aplica à realidade brasileira, em que a falta de atenção das autoridades aos transportes coletivos é notória, cujo aumento das tarifas não é acompanhado da efetiva elevação da qualidade e disponibilidade dos serviços prestados, o que faz com que, muitas vezes, o automóvel se torne a opção mais viável aos brasileiros.
Diante do exposto, é preciso que o Ministério dos Transportes, como órgão responsável pela execução de políticas de transporte para o país, deve, por meio de verbas governamentais, conceder benefícios fiscais às empresas que utilizarem outra matriz transportadora além da rodoviária para o deslocamento de suas mercadorias, de modo a reduzir os impactos causados pelos caminhões. Concomitantemente, os governadores das unidades federativas devem reduzir as tarifas e aumentar a quantidade de ônibus e metrôs nas cidades. Assim,poderemos incentivar o transporte intermodal, tornar o transporte público a preferência dos cidadãos, e assim, melhorar a mobilidade urbana brasileira.