A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 10/10/2019

Durante a década de 60, o Brasil deixava de ser um país tipicamente agrário para se tornar industrializado e predominantemente urbano. Além disso, durante esse processo, a desordem  e a falta de planejamento das cidades ocasionaram diversos problemas referente à locomoção da população e, a arquitetura urbanística. Hodiernamente, com o aumento da frota veicular no país, há a necessidade dê-se combater a crise crescente da mobilidade urbana, principalmente no que rege a cultura do carro próprio e a falta de investimentos em infraestrutura e manutenção de transportes não motorizados.

Em uma primeira análise, não há dúvidas de que a cultura do carro próprio intensifica a crise da mobilidade urbana no Brasil. Segundo a pesquisa da revista Época, até o ano de 2010, o veículo era tido como “objeto” de status social. Prova disso é o fato de algumas famílias possuírem um veículo para cada integrante, o que, infelizmente contribui para intensificar a parcela de carros circulantes. Agregado a isso, nos últimos 20 anos, a queima de combustíveis fósseis intensificou o efeito “ilhas de calor” (fenômeno climático a partir da elevação da temperatura de uma área urbana em relação a uma zona rural). Logo, fica evidente a necessidade de uma postura ativa do governo a tamanho desafio.

Concomitantemente, existe um agravante: a falta de investimentos na rede de transportes não motorizados colabora para que a crise da mobilidade perpetue. Segundo o dramaturgo, George Shaw, “é impossível progredir sem mudança e, aqueles que não mudam suas mentes não podem mudar nada.” Nessa perspectiva, é relevante ponderar a importância da criação de infraestruturas para facilitar o estímulo da população a usar transportes alternativos, como bicicletas e transportes públicos. A exemplo disso, é o incentivo do governo do estado do Paraná, o qual observou a necessidade de aumentar as ciclovias na cidade de Curitiba, o que, consequentemente, reduziu os índices de engarrafamentos e o tempo de translado desses cidadãos.

Entende-se, portanto, que ações em conjunto devem ser tomadas para reduzir a crescente crise da mobilidade urbana no Brasil. Nesse sentido, o Poder Legislativo deve criar leis junto aos municípios, para que esses, por intermédio de consultas públicas possam efetivar a melhor forma de aprimorar a locomobilidade de sua região, aumentando as ciclovias, bem como solicitar editais para criação de empresas de transportes públicos “limpos” - veículos elétricos ou com baixa emissão de gases do efeito estufa -, a fim de atenuar os índices de engarrafamentos e a poluição do ar atmosférico. Somado a isso, o Ministério da Educação e Cultura, tem a obrigação de instruir, por intermédio de cartilhas lúdicas acerca dos prejuízos que a cultura do carro próprio pode ocasionar, como o aumento progressivo de veículos nas estradas, mas também os prejuízos na saúde pública que o efeito estufa pode gerar.