A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 10/10/2019

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, observa-se na realidade contemporânea o oposto do que o autor prega, uma vez que a crescente crise na mobilidade urbana brasileira apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da passividade Estatal, quanto da falta de mobilização por parte da população. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento social.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a ascendente crise na mobilidade urbana no Brasil deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos capazes de coibir tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é o responsável por garantir o bem-estar social, entretanto, isso não ocorre no país. Devido à falta de atuação das autoridades, os trânsitos nas grandes cidades brasileiras estão cada dia mais caóticos. A grande quantidade de carros requer melhores infraestruturas e ruas mais planejadas, contudo, não é uma realidade no país. Além disso, a escassez de vias especializadas, como ciclovias, expõe os usuários desses veículos ao risco de sofrerem acidentes graves. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar a falta de mobilização da população como promotor do problema. De acordo com pesquisa realizada pelo G1, apenas 48% dos entrevistados foram concordantes sobre a grande importância da construção de vias especializadas para outros veículos. Partindo desse pressuposto, essa porcentagem ainda é muito baixa quando comparada à gravidade do problema. Esse número remete à ideia de uma população, a qual não se preocupa com melhorias sociais, uma vez que trata-se de uma questão de segurança geral no trânsito. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a falta de engajamento da população contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar os problemas da mobilidade urbana, necessita-se, urgentemente, do direcionamento de capitais por parte do Tribunal de Contas da União, os quais por intermédio das prefeituras municipais será revertido em melhorias na infraestrutura das cidades, através da criação de vias especializada, como ciclovias, as quais permitirão a livre e segura movimentação dos ciclistas, além de melhorias no planejamento de avenidas. Por outro lado, as empresas privadas em parceria com a mídia televisiva devem promover e financiar campanhas, as quais serão passadas nos horários de pico, a fim do incentivo ao maior engajamento social da população. Desse modo, atenuar-se-á o impacto nocivo da crise na mobilidade urbana, e a coletividade alcançará a Utopia de More.