A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 09/10/2019

Hoje a ponte engarrafou

“Morando em São Gonçalo você sabe como é, hoje a ponte engarrafou”. Através deste trecho da música “São Gonça”, do cantor Seu Jorge, é representado uma situação recorrente, principalmente, nas áreas urbanas do Brasil, isto é, a crise de mobilidade. Esse cenário é fruto tanto de políticas históricas, quando do comportamento da sociedade do século XXI. Diante disso, torna-se indubitável a discussão desses aspectos, a fim de explicitar os pontos para mitigar o impasse.

Primeiramente, é fulcral, pontuar que a crescente crise de mobilidade urbana no Brasil, deriva da política rodoviária implementada, contundentemente, durante o governo de Juscelino Kubitschek, em meados do século XX. Contudo, mesmo que o propósito de integração e desenvolvimento do país fosse de suma importância, ao utilizar a verba de transportes, privilegiando um único modal, os outros foram dispostos em segundo plano e preteridos. Isso é visível, hodiernamente, através de dados da Confederação Nacional de Transportes, pois, 61,1% de toda carga no Brasil usa o sistema rodoviário, sendo que as hidrovias e ferrovias  são pouco utilizadas.

Em segundo plano, é imperativo ressaltar o comportamento da população do século XXI como outro promotor do problema. Partindo desse pressuposto, atualmente, o carro é mais do que um veículo de transporte, passou a determinar um símbolo de status na sociedade. Segundo, o filósofo francês Lipovetsky, nas nações sem maiores ideologias políticas,  alguns indivíduos  tendem  a construir sua identidade mediante o consumo próprio. Desta maneira, os comportamentos sociais dos brasileiros refletem para o aumento da crise de mobilidade que os assola.

Diante disso, portanto, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da crise de mobilidade urbana no Brasil. Destarte, com o intuito de mitiga-lo, é necessário, urgentemente, que o Ministério do Transporte realize melhoraria na infraestrutura de outros meios, ou seja, os que são pouco explorados como o ferroviário e hidroviário, através de verbas direcionadas a esse setor pelo Tribunal de Contas da União, para assim diversificar a ação de transmover carga pelo Brasil. Somado a isso, é fulcral, melhorar a infraestrutura do transporte público brasileiro e aumentar sua circulação em horários de pico evitando a superlotação, além disso, campanhas midiáticas, realizadas pelo Estado, que demostrem a situação caótica da crise de mobilidade urbana, incitaria a população a utilizar o transporte público e evitar que a cena da música “São Gonça” se reproduza.