A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 10/10/2019
No governo de Juscelino Kubitschek, em meados do século XX, ocorreu o desenvolvimentismo econômico que priorizou o investimento em setores de transporte e na ascensão automobilística. Na contemporaneidade, de fato, é perceptível que as cidades brasileiras foram construídas, exclusivamente, para a operação de automóveis. Dessa forma, é inegável que a mobilidade urbana é um obstáculo nacional, o qual ocorre, infelizmente, devido não só a falta de planejamento urbano, mas também ao crescimento constante da cultura do carro.
Convém ressaltar, a princípio, que a ausência de um plano eficiente para a estruturação de municípios e metrópoles é a principal causa para a desordem, falta de fluidez e, principalmente, a dificuldade da locomobilidade de deficientes e idosos. É importante notabilizar que Berlim, cidade Alemã, é um exemplo de competência quanto ao fácil deslocamento da sua população, uma vez que sua característica dominante é a diversidade de modais disponíveis e a facilidade de acesso destes. Já no Brasil, é evidente que a administração ineficiente de projetos arquitetônicos, responsáveis pelo espaço público, e a despreocupação com a organização e acessibilidade tem corroborado com vários problemas sociais, sobretudo os altos números de acidentes, posto que, segundo a Seguradora Líder, o trânsito mata mais que crimes violentos em alguns estados brasileiros.
Outrossim, é perceptível que o aumento da quantidade de automóveis é indiretamente proporcional ao crescimento dos espaços que estes ocupam. Nos últimos anos, a frota de carros cresceu vertiginosamente, isso acontece pois muitos brasileiros ainda valorizam o uso destes veículos que, na verdade, é mais um símbolo de status do que algo funcional e, acentua cada vez mais o preconceito com o transporte coletivo que é visto como algo de classe baixa. Além do mais, há um cenário flagrantemente desigual, onde um número consideravelmente menor de cidadãos ocupam um espaço escancaradamente maior, ocorrendo assim um paradoxo entre o princípio de igualdade de direitos com o que de fato acontece nas vias públicas.
Infere-se, portanto, que é imprescindível solucionar este caos urbanístico. Desse modo, com o intuito de amenizar tal problemática, compete ao Estado atrelado à arquitetos e urbanistas desenvolver projetos efetivos que visam um planejamento sistemático e acessível das ruas brasileiras, construindo vias para ciclistas e pedestres, para que - como ocorre em Berlim -, haver uma melhor organização e harmonização no fluxo urbano. Além disso, a fim de quebrar os paradigmas relacionados ao transporte coletivo, é necessário que o Ministério de Transporte ofereça melhorias aos modais públicos e,