A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 09/10/2019
Após a entrada de Juscelino Kubitschek no governo brasileiro, o país recebeu, em 1956, grandes investimentos para a ampliação do modal rodoviário, o qual desenvolveu a indústria automobilística nas metrópoles. Nesse sentido, um rápido progresso no setor de transporte foi estabelecido e originou grandes fluxos de veículos pelas cidades. Atualmente, essa mobilidade urbana enfrenta obstáculos no Brasil e tornou-se um sério problema governamental, visto que – seja pela ineficiência estatal, ora pela má qualidade dos transportes públicos – compromete a qualidade de vida e flexibilidade dos cidadãos.
A princípio, cabe analisar o papel ineficiente do governo sob a visão do filósofo britânico Thomas Marshall. Segundo o autor, os direitos civis, políticos e sociais devem ser oferecidos aos cidadãos para que seja construída a ordem coletiva. Analogamente, o atual poder público contradiz esse pensamento ao promover poucos programas de modais alternativos de transporte, os quais, frequentemente, apresentam ciclovias limitadas e não conseguem atrair a população pela busca de deslocamentos sustentáveis. Por consequência, com apenas o modal rodoviário em várias regiões, amplos congestionamentos e impactos socioambientais tendem a surgir, como estresse, poluição sonora e atmosférica.
Ademais, além da ineficiência estatal, a má qualidade dos transportes coletivos também corrobora na problemática e convém ser contestada sob a perspectiva do sociólogo francês Émile Durkheim. Segundo o autor, o indivíduo só poderá agir na medida em que conhecer o contexto em que está inserido. Dessa forma, o atual âmbito das cidades brasileiras – o qual boa parte das conduções coletivas exibem péssimas estruturas, superlotações frequentes e tarifas abusivas – permite que vários indivíduos procurem carros particulares como um caminho de conforto e segurança ao se transportarem. Logo, observa-se o aumento de veículos que carregam poucas pessoas e retardam o trânsito urbano, o que atrapalha o bem-estar social da população metropolitana.
Diante disso, torna-se evidente que medidas devem ser tomadas. Para isso, o governo, por meio de parcerias com gerências estaduais e municipais, deve ampliar modais alternativos de transporte pelo Brasil, de modo a oferecer, com eficazes projetos urbanos, ciclovias, hidrovias e ferrovias qualificadas para atender a necessidade de cada metrópole. Dessa forma, será possível garantir outras rotas de deslocamento mais sustentáveis aos habitantes e diminuir os extensos congestionamentos no modal rodoviário. Além disso, a população, por meio de passeatas pacíficas, deve exigir aperfeiçoamentos e reparos nas conduções coletivas, a fim de que seja assegurado aos cidadãos conforto e proteção, além de diminuir a formação de constates fluxos de veículos pelas cidades, assim como na presidência de Juscelino Kubitschek.