A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 15/10/2019
Promulgada pela Assembleia Nacional Constituinte em 1988, a Constituição Federal garante a todos os indivíduos o direito à mobilidade urbana. Conquanto, a crescente crise desse sistema impossibilita que milhões de pessoas desfrutem desse direito na prática. Sob essa perspectiva, cabe avaliar que o processo histórico de ocupação nacional e a falta de medidas públicas, agravam intensivamente a crise da mobilidade urbana no Brasil.
Convém ressaltar que o Brasil é considerado um país em desenvolvimento. Nesse sentido, sua ocupação foi realizada de maneira acelerada e desordenada. Esse processo pode ser melhor observado na conjuntura do governo de Vargas (1930 a 1945), onde o investimento na indústria de base aglomerou indivíduos advindos do campo em precárias ocupações urbanas. Dessa maneira, o desenvolvimento das cidades brasileiras foi comprometido e proporcionou grandes impactos nos dias atuais. Exemplo disso, é observado nos excessivos congestionamentos e na má estruturação da qualidade de deslocamento das pessoas que não possuem condições de residir nos grandes centros. Faz-se mister, ainda, salientar que a falta de medidas públicas impulsiona o agravamento da problemática. De acordo com Maxwell Salgado, pensador brasileiro, “enquanto as alternativas de mobilidade urbana estiverem beneficiando carros, o trânsito não irá melhorar”. Sob essa perspectiva, o governo investe em alternativas que proporcionam qualidade ao transporte individual e ignora o investimento no desenvolvimento adequado do sistema coletivo e em outras alternativas. Ademais, o monopólio dos grupos administrativos, os preços abusivos, a precária situação dos veículos transportadores, a falta de segurança e investimentos em ciclofaixas intensificam a procura dos automóveis particulares e, consequentemente, aumentam a crise no deslocamento urbano.
Infere-se, portanto, que medidas devem ser realizadas para combater os entraves do direito assegurado na Constituição Federal. Em primeiro plano, é de suma importância que o Governo Federal, em conjunto com os seus profissionais especializados, redirecione valores para restruturação do transporte público. Desse modo, buscando melhor qualidade nos veículos coletivos, aumentando o policiamento dos centros e áreas periféricas para melhor segurança, criando novas e maiores ciclofaixas e promovendo a redução da tarifa para todos os usuários que utilizam o transporte coletivo. De outra parte, depois de serem realizados os investimentos em restruturação, as empresas de telecomunicação devem criar, por meio de seus profissionais, propagandas que incentivem toda população a aderirem o transporte coletivo e o uso de bicicletas no cotidiano. Dessa forma, o Brasil poderia superar a crise da mobilidade urbana.