A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 09/10/2019
Destoante da realidade ideal, os centros urbanos tendem ao colapso em uma velocidade acelerada diante da crise a mobilidade urbana. Nesse sentido, parte significativa do problema relaciona-se íntima e diretamente ao processo constitutivo das cidades ao longo do tempo, ou seja, sem planejamento e organização e, assim, convergindo para um cenário inflexível e pouco aprazível ou cômodo aos indivíduos. Além disso, essa é uma questão que se estende para além das margens do debate acerca do trânsito e diz respeito, concomitantemente, à lógica democrática e constitucionalmente assegurada do direito ao ir e vir e ao tratamento digno ao cidadão.
Nessa perspectiva, o crescimento exponencial dos ambientes citadinos contribuiu em peso para o atual estado de diversas cidades brasileiras. Nesse viés, até por uma lógica malthusiana, a população cresce segundo um gráfico hiperbólico e, associando essa ideia à realidade da aglomeração, por conta de fatores tais quais comodidade e deslocamento, o resultado inevitável é o colapso do sistema de vias, tendo como exceção desse cenário, e ótimos exemplos a serem seguidos, cidades como Brasília, Curitiba – que passou por um processo complexo de reestruturação – e Boa Vista, cuja infraestrutura é invejável. Desse modo, nota-se que, de fato, o fulcro da questão é exatamente a escassez de planejamento no processo de desenvolvimento.
Outrossim, o conjunto de problemas trazidos pela imobilidade no trânsito, bem como engarrafamento, poluição em suas várias espécies e discussões, prejudica diretamente a qualidade de vida do indivíduo. Seguindo esse raciocínio, de acordo com dados de levantamentos feitos pela Organização Mundial da Saúde, OMS, o Brasil é o quinto que mais mata no trânsito, em função, dentro outros aspectos, justamente da crise de mobilidade urbana, em que a impaciência atrelada ao cenário torna-se o estopim para diversas calamidades, como brigas e acidentes. Sendo assim, essa é uma questão que afeta as relações sociais dentro de uma sociedade negativamente e leva o país ao declínio, inclusive nos seus índices de desenvolvimento humano.
Destarte, a crise de mobilidade nos centros urbanos traz uma série de desafios que precisam ser superados. Para isso, cabe ao Estado, na figura do Ministério do Desenvolvimento Regional, instaurar medidas de incentivo fiscais, com isenção de taxas e impostos sobre serviços, ao processo de reestruturação das cidades, com o intuito de estabelecer maior dinamicidade e fluidez nesses ambientes, oferecendo qualidade de vida aos cidadãos, a partir da criação de projetos de leis que almejem esse fim. Dessa maneira, alcançar-se-á um futuro mais aprazível, digno e organizado nas cidades brasileiras e, assim, dar-se-á continuidade ao progresso no país.