A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 09/10/2019
Um problema comum em países emergentes é relacionado a dificuldade de locomoção pelos centros urbanos. O Brasil não é exceção, sendo este desafio ainda mais intenso que em relação aos vizinhos latino-americanos, pois a intensa propaganda automobilística que incentiva a compra do automóvel aumenta a lotação de veículos nas cidades, junto a isso ocorre também a baixa qualidade e abrangência limitada do transporte público, o que expande o interesse no consumo do automóvel.
A razão pela qual a industria de automóveis é tão influente na mente brasileira é histórica, desde 1956, no governo de Juscelino Kubitschek, é o estilo de empresa que mais cresce no país e por consequência sua publicidade é intensa e presente desde a era do rádio. Essa influência gerou o reflexo de uma relação de um carro a cada quatro brasileiros segundo o Departamento Nacional de Trânsito. Tendo em vista que o Brasil é quinto país mais populoso do mundo, pode-se mensurar a quantidade de veículos que há nele. Ou seja, um dos motivos principais pelo caos urbano que vive é a presença social e midiática radical da industria automobilística que mostra o carro como uma necessidade e não como um luxo que é que como deveria ser visto, tendo em conta seu alto preço e veloz desvalorização.
Outro motivo também atuante na escolha do veículo particular em relação ao transporte público é péssima qualidade deste último que não possui a abrangência necessária. Além de São Paulo, apenas mais outras oito cidades possuem sistema metroviário, mas nenhum deles tem uma malha tão grande quanto a paulista. Mesmo sendo o centro monetário do país o Estado também sofre com problemas com o transporte público que não chegam a zonas mais periféricas e, quando chegam, estão sucateados. Visto isso, vários fatores levam a escolha da opção do individual, é um sonho de consumo e, em alguns casos, uma necessidade pois é a única forma de chegar ao local em que habita cidadão.
Porém, a limitação da propaganda de autos não seria eficaz pois levaria apenas ao enfraquecimento dessa forte industria do Brasil, sendo, mais vantajoso a expansão e melhoria do transporte público pois melhor o serviço oferecido pelo Estado mais usado ele é. Esse aumento deve ser feito por meio de parcerias público-privadas, isto é, concessões para construção, utilização e lucro pelo bem concedido pelo governo por certo período de tempo, como a linha amarela do metrô paulista, porém, sendo agora feito em âmbito nacional pelo Ministério da Infraestrutura, atual órgão governamental responsável por políticas de trânsito no país, através da oferta a empresas internacionais em investir no transporte do país, aumentando assim o alcance do transporte público tirando parte da necessidade brasileira ao carro, evitando um gasto desnecessário do povo brasileiro.