A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 08/10/2019
Em 1908, com o lançamento do modelo do Ford T preto, Henry Ford promoveu não apenas a popularização de automóveis, mas ainda a racionalização do sistema de produção em massa. Mais de um século depois, no entanto, o crescimento exorbitante de veículos em circulação, bem como a precária qualidade dos transportes causa grandes problemas na mobilidade urbana brasileira. Visto que, além de resultar em um tráfego desordenado, a superlotação contraria o princípio da livre circulação defendido pelo artigo 13 da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Em primeira análise, é fato que o rodoviarismo juscelinista configura na sociedade brasileira como resquício de uma mentalidade excludente e individualista, uma vez que as facilidades do mercado automobilístico parecem ofuscar as vantagens do transporte coletivo. Em virtude disso, é comum observar problemas como superlotação, altas tarifas e precariedade estrutural, fatores que associados à má estrutura das estradas, aumentam, consequentemente, os riscos de acidentes ligados à direção. Prova disso são os levantamentos apontados pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), segundo os quais, somente em 2017 foram registrados 89.396 acidentes decorrentes da má infraestrutura das rodovias.
Assim, ficam evidentes os prejuízos que a deficiência na mobilidade urbana no Brasil causa ao âmbito social. Esse campo, entretanto, não é o único infortunado por tal problema. Biologicamente, é possível afirmar que a ineficiente rede locomotiva do país é responsável por agravar as poluições atmosférica e sonora das localidades onde se mostram mais presentes. Além disso, muitas vezes, devido à falta de planejamento urbano, as “áreas verdes” dão lugar a ferrovias ou estradas, as quais, em geral não amenizam o problema de congestionamento nas cidades, assertiva comprovada historicamente pelas equivocadas ideias desenvolvimentistas, já citadas, de Juscelino Kubistchek.
Considerando-se os aspectos mencionados, torna-se claro, portanto, a necessidade de medidas para combater a situação. Para isso, é indispensável que, além da ampliação da rede pública de transportes, ações como a implantação de ciclovias e adoção de rodízios veicular sejam executadas em todas as metrópoles nacionais pelos governantes, de modo a visar o fim de congestionamentos e, consequentemente, a redução dos problemas ambientais. Com isso, a fim de reduzir o número de carros particulares nas vias citadinas, é conveniente que os ambientalistas, organizados por meio de ONGS e com auxílio da mídia, promovam campanhas e eventos temáticos públicos divulgados em redes sociais e canais televisivos abertos, para que estimulem e atentem a sociedade civil acerca dos benefícios e da importância ecológica do uso de transportes coletivos.