A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 08/10/2019

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a crescente crise na mobilidade urbana brasileira apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da precariedade dos transportes públicos, quanto do individualismo cultural. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a fragilidade no sistema de transporte público deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, a sociedade encontra-se debilitada economicamente, uma vez que o preço das passagens desse sistema de transporte são desproporcionais a capacidade de aquisição pela maioria dos usuários pois, majoritariamente, os clientes desse serviço são oriundos das classes baixas da sociedade. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar o individualismo da sociedade contemporânea como promotora do problema. Como o passar do tempo, o uso dos veículos particulares deixou de possuir somente a função locomotora para servir, também, como manutenção do status quo, ou seja, é visto como mecanismo de ascensão social. Para o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, o consumismo não tem mais por objetivo a satisfação da necessidade mas, sim, adequar o individuo a padrões pré-estabelecidos para que se sinta incluso no corpo social. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que o individualismo contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar o deficit no transporte público, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Infraestrutura, será revertido no aperfeiçoamento desse sistema de serviço público e, também, reduzir a taxação de impostos sobre as iniciativas privadas, para que o valor das tarifas sejam reduzidas e proporcionais as condições sociais dos cidadãos. Outra medida eficaz seria a criação de campanhas conscientizadoras e palestras nas instituições de ensino, a respeito dos riscos do uso excessivo dos veículos particulares e expor as formas alternativas de locomoção. Desse modo a coletividade alcançará a Utopia de More.