A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 08/10/2019
Em “O Auto da Barca do Inferno”, Gil Vicente, o pai do teatro português, tece uma crítica ao comportamento vicioso do século XVI. Fora da ficção, o Brasil do século XXI demonstra as mesmas conotações no que se refere a crescente crise na mobilidade urbana brasileira. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema em virtude da urbanização rápida e da falta de conscientização da população.
Sob esse viés, pode-se apontar como um empecilho à consolidação de uma solução para a urbanização crescente. Conforme Aristóteles, a política tem como função preservar o afeto entre as pessoas de uma sociedade. Contrariamente no Brasil, essa urbanização não encontra um respaldo político necessário para ser solucionado, tendo em vista que o número de automóveis a cada dia que passa aumenta mais, o que dificulta a resolução do problema.
Sobre outra perspectiva, a falta de conscientização da população influência na problemática. Esporadicamente os brasileiros pensam em usar de outros métodos para se locomover, como bicicletas, metrôs ou até mesmo caronas, o que diminuiria a crise na mobilidade e daria um fluxo melhor para as vias. Isso afirma o que Bauman alegou sobre o mundo pós-moderno, onde o individualismo foi fortemente presente. Dessa forma a realidade é que os cidadãos pensam em seu bem-estar individual ao invés de pensar no coletivo e esquecem do que está acontecendo ao seu redor.
Diante dos fatos supracitados, é indubitável a necessidades de medidas eficazes e peremptórias que alterem esse cenário. É fundamental, portanto, que o Ministério das Cidades junto à Prefeitura, realizem campanhas incentivando o uso das ciclovias e das caronas, por meio de comerciais e rádios, de forma que toda população ouça e veja o quão importante é essas atitudes para que haja uma diminuição da crise na mobilidade urbana brasileira. Dessa maneira, talvez o universo de “O Auto da Barca do Inferno” permaneça apenas na ficção.