A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 08/10/2019

A análise do contexto histórico nacional recente permite inferir que a mobilidade urbana brasileira é uma problemática paradoxal. Se por um lado houve avanços nas cidades de nosso país com a construção de rodovias, com o crescimento urbano e industrial em grandes centros, entretanto, por outro lado, há em nossa sociedade uma grande crise de infraestrutura e planejamento urbano.

Vale ressaltar, inicialmente, que projetos sociais na década de 1950 e 1960 trouxeram muito mais conforto e comodidade aos brasileiros. Nesse sentido, o governo de Juscelino Kubitschek, com o plano de metas possuía objetivo de desenvolver o Brasil 50 anos em 5, reconstruindo o setor de transporte, criando rodovias em grandes metrópoles brasileiras, como em São Paulo e Brasília. Além disso, o presidente JK aumentou substancialmente a indústria automobilística, importando muitos veículos da Europa, que consequentemente causaram um crescimento exponencial na mobilidade urbana brasileira. Sendo assim,  a população de grandes cidades de São Paulo, como Campinas e Ribeirão Preto começaram a usufruir do prazer de pilotar automóveis da Alemanha e Inglaterra, dessa forma o povo entrou no mundo do consumo (Capitalismo) e esqueceu do planejamento, que é fundamental para organização das metrópoles.

Dentro dessa perspectiva, a mobilidade urbana entrou em colapso a partir dos anos 2000, visto que os Planos Diretores de inúmeras cidades não foram feitos com base no enorme crescimento urbano de nosso país. Somado a isso, possuindo a quinta maior população mundial, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) o Brasil tem cerca de 220 milhões de brasileiros que almejam viver em grandes centros e possuir seus veículos para trabalhar e passear. No entanto, infelizmente, a recente crise na mobilidade urbana brasileira gerada pela falta de responsabilidade do Estado com o planejamento e aliado ao aumento logarítmico de veículos nas rodovias colocaram a população em transportes públicos precários como ônibus e trens. Dessa maneira, milhares de brasileiros trabalhadores diariamente enfrentam horas no trânsito, aumentando o estresse e o risco de acidentes, haja vista que não há espaço para tantos veículos, o que torna cada vez mais crescente a crise na mobilidade urbana no Brasil.

Infere-se, portanto que para resolver o problema da mobilidade urbana é fundamental que o Ministério da Infraestrutura em conjunto com os Municípios desenvolvam seus Planos Diretores com base em dados estatísticos, sobretudo no atual crescimento das cidades, a fim de que a população possa usufruir do direito básico da Constituição Cidadã de 1988 “de ir e vir”, independente da localização. Dessa forma, a população brasileira garantirá seus direitos e viverá feliz nos grandes centros urbanos.