A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 07/10/2019
Como institui a Declaração Universal dos Direitos Humanos, todo humano tem o direito de exercer seu ir e vir. Todavia, a situação da mobilidade nos grandes centros urbanos brasileiros é, na maioria das vezes, deplorável, devido, não só ao trânsito, mas também à superlotação dos serviços de transporte coletivo. Esse problema se deve, em principal, ao fato de que, a cultura da compra de veículos individuais, somado ao péssimo estado dos trens, ônibus e metrôs, faz com que as rotas em geral fiquem inchadas de automóveis, atrasando, dessa forma, a locomoção do cidadão brasileiro.
Em primeira análise, faz-se notar que, nos últimos anos, o aumento na renda da classe média e baixa, corroborado pelo incentivo governamental à indústria automobilística, fez com que o número de veículos individuais aumentasse consideravelmente. Tal fenômeno, porém, não foi acompanhado por uma melhoria no sistema de transporte, ou seja, o trânsito cresceu gradativamente com a cultura de automobilização privada. Pode-se ver essa intensificação do uso de carros no decorrer da história brasileira, pois, a política nacional, desde muito tempo, relaciona o aumento do mercado automobilístico, com uma melhor situação econômica e de bem-estar social. Entretanto, essa relação não se efetiva, tendo em vista o cenário da mobilidade urbana.
Seguramente, uma boa forma de reduzir o tempo de locomoção do cidadão brasileiro, é incentivar o uso do transporte coletivo, a fim de diminuir o número de veículos necessários para o transporte da população. Apesar disso, antes, seria necessário uma melhora no serviço público, que já enfrenta problemas como a superlotação. A insatisfação da população com os mecanismos governamentais de mobilidade é enorme, ou seja, não se vê propensa a abandonar o uso de carros, mantendo assim o problema.
Assim sendo, para solucionar esse problema, é preciso conciliar uma boa estruturação do transporte público com o devido apelo para o uso desse meio de locomoção. Portanto, é de suma importância que os governos estaduais, em conjunto com a ANTP (Associação Nacional dos Transportes Públicos), através de verbas do Ministério da Infraestrutura, diminuam os preços do transporte público e aumentem o número de veículos operantes, bem como isentem de parte do IPTU aqueles que optarem pelo serviço de mobilidade estatal no lugar do privado, logo, eles devem arcar com essa cobrança da Federação. Tal atitude governamental, reduziria o trânsito nas grandes urbes do país, melhorando assim o bem-estar do cidadão e a locomoção interna das cidades.