A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 08/10/2019

O direito de ir e vir de todo o cidadão brasileiro está expresso no artigo 5º da Constituição Federal de 1988. Logo, todos possuem o direito de se locomover livremente nos lugares públicos, sem temor de serem privados de locomoção. Embora seja um direito garantido por lei, grande parte da população encontra dificuldade para se deslocar nos municípios brasileiros, não apenas pelo grande número de carros dificultando o tráfego nas rodovias, mas também pela falta de infraestrutura nas cidades.

A enorme quantidade de veículos individuais trafegando nas ruas diariamente é um dos principais impasses para a mobilidade urbana. Isso acorre devido a falta de investimentos do governo em transportes públicos, assim, a sua  falta de infraestrutura e a baixa qualidade de seus serviços fazem com que a maioria da população prefiram automóveis individuais, causando inchaço no trânsito. Não é atoa que segundo dados do Observatório das Metrópoles, entre os anos de 2002 e 2012, enquanto a população brasileira aumentou 12,2%, o número de veículos registrou um crescimento de 138,6%. Isto é, não aumentou apenas a quantidade de carros e motos nas ruas, mas também o tempo de deslocamento, causado pelo excessivo congestionamento que se tornou comum nas metrópoles.

É preciso, porém, reconhecer que a falta de investimento do setor público na infraestrutura das cidades também é um problema para a mobilidade urbana de pedestres no pais. Isso deve-se ao fato do acelerado e desordenado processo de urbanização que ocorreu no Brasil a partir da década de 1950, culminando em um ineficiente planejamento urbano, que não atende as necessidades da população. Segundo o site G1, o investimento público em infraestrutura no ano de 2018, correspondeu apenas a 0,4% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, sendo o menor em dez anos. Como consequência da falta de investimento nas áreas urbanas, torna-se constante a dificuldade de idosos e pessoas com mobilidade reduzida em trafegar pelas ruas, devido as calçadas desniveladas, ruas cheias de buracos e em sua maioria, sem rampas para cadeirantes. Certamente, tais problemas fazem com que essas pessoas fiquem expostas a constantes riscos de acidentes.

Evidencia-se, portanto, que a falta de investimento do poder público é um dos principais responsáveis pela crise da mobilidade urbana. Portanto, faz-se necessário que as prefeituras, junto aos setores privados amplie os investimento em transportes públicos, aumentando sua frota e ampliando o número de faixas exclusivas para ônibus, a fim  de melhorar a qualidade de seu serviço, assim, atraindo um maior numero de indivíduos para utilizá-los. Também é função da prefeitura investir em melhores condições de ruas e calçadas nas cidades, garantindo o direito de ir e vir de todo e qualquer cidadão.