A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 08/10/2019

Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito ao transporte e ao bem-estar social. Conquanto, o aumento desenfreado da frota veicular impossibilita que grande parcela da população desfrute desse direito universal na prática. Nessa perspectiva, esses desafios devem ser superados de imediato para que uma sociedade integrada seja alcançada.

A educação é o fator principal no desenvolvimento de um País. Atualmente, ocupando a uma considerável posição na economia mundial, seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema público de ensino eficiente. Contudo, a realidade é justamente o oposto e o resultado desse contraste é claramente refletido na falta de planejamento e competência para melhorar a mobilidade urbana dos grandes centros do Brasil.

De acordo com uma pesquisa feita pelo IBOPE na cidade de São Paulo, houve um acréscimo de 11% de pessoas utilizando o transporte público, depois que foram realizados investimentos em vias para pedestres e ciclovias. Diante do exposto, é inadmissível que ainda haja descaso da administração pública para investir em obras que beneficiem a população, visto que, estes projetos de circulação criam postos de trabalho e incrementam capital na economia das cidades por causa da facilidade de locomoção.

Faz-se necessário, ainda, ressaltar a poluição atmosférica como parcela do problema. De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é a característica da “modernidade líquida” vivida no século XXI. Diante de tal contexto, o acréscimo de veículos proporciona o aumento da emissão de gases poluentes como o monóxido de carbono (CO), o óxido nítrico (NO) e o dióxido de enxofre (SO2). Estes, além de prejudicarem a camada de ozônio causam doenças respiratórias, dores de cabeça e podem levar a morte.

Dado o exposto, medidas são necessárias para resolver esse impasse. Dessa forma, é essencial que o Ministério dos Transportes melhore e crie mais projetos de circulação de pessoas, como as já existentes vias de pedestres e ciclovias, que em muitas cidades encontram-se danificadas pela ação do tempo e falta de manutenção. Também, é importante que as ONGs colaborem com o problema da mobilidade realizando campanhas educativas, através dos meios de comunicação como televisão e internet, com o fito de orientar a população sobre os benefícios do uso do transporte público para reduzir a emissão de gases poluentes que causam diversas doenças. A partir dessas ações, espera-se promover uma melhora no bem-estar social.